Moradora denuncia precariedade na Saúde; servidores correm riscos

Sesacre informou que o Estado está tomando todas as medidas para resolver os problemas enfrentados na unidade de saúde de Jordão

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Servidora denuncia lixo jogado dentro do pátio do hospital/Foto: cedida

 

No município de Jordão, são várias as precariedades do atendimento. Uma munícipe, que preferiu manter sua identidade em sigilo, procurou a reportagem da ContilNet para denunciar algumas das irregularidades praticadas conta a saúde pública do município.

Dentre as principais irregularidades apontadas pela munícipe, destaca-se a falta de profissionais capacitados na direção da saúde no município. Para ela, os cargos são puramente políticos.

“É preciso cobrar do estado que tenha critérios para nomear alguém para um cargo importante, como os de gerentes de unidades de saúde; que não seja apenas político, não se pode confundir as coisas. Instituições como estas cuidam de vidas, não podemos nos dar ao luxo de errar de ter pessoas despreparadas que não tem conhecimento de como gerir uma unidade muito menos liderar o quadro de pessoal. Não tem conhecimento na aera e muito menos esforçam-se para se adequar ao serviço”.

Unidade de saúde do Jordão enfrenta vários problemas estruturais, denuncia moradora/Foto

Unidade de saúde do Jordão enfrenta vários problemas estruturais, denuncia moradora/Foto: cedida

Dentre as deficiências estruturais apontadas pela denunciante, estão a falta de desfibrilador, materiais para intubação, respirador eletrocardiograma, veículo de emergência, carro para deslocamento da bala de oxigênio nas dependências da unidade.

“O serviço de Raio-X não funciona a 11 meses pela falta de profissional, havendo a necessidade de deslocamento de paciente para fazer raio x em outra cidade. Nas emergências principalmente não temos como dar assistência necessária. Sei que não é competência deles adquirir esses item pois e do Estado mas é de sua competência cobrar e infirmar a ausência não posso me contentar em usar apenas minhas mãos para tentar lhe devolver a vida, assim como já aconteceu e o resultado não foi positivo essas coisas me entristece a cada dia”.

Para a denunciante, faltam profissionais de nível superior para supervisionar o serviço de enfermagem, pois o COREN determina que não se pode trabalhar apenas técnicos e auxiliares. “Tem enfermeiro para ser convocados do concurso de 2013, e no mês de janeiro veio enfermeiro de Tarauacá. Já neste mês de fevereiro não foi possível a vinda de enfermeiros de Tarauacá e a maioria dos plantões é apenas técnicos e auxiliares de enfermagem, problema existente a muito tempo e cada dia só piora e se arrasta por longos 24 anos de existência desse município tão distante e isolado onde contamos e recebemos muita proteção de Deus”.

A alimentação servida na unidade é outro problema apontado. Os pacientes, que precisam seguir dieta conforme seu quadro clínico e prescrição médica, precisam se adaptar ao despreparo do hospital.

“O despreparo das cozinheiras, onde deveriam ter conhecimento dos tipos de dieta, a falta de conhecimento da direção para cobrar e orientar as mesmas de como deveria funcionar o serviço, promover condições adequadas como fornecimento dos utensílios e alimentação necessária para as mesmas trabalharem esse despreparo acaba prejudicando a recuperação dos pacientes”.

Moradora também denuncia problemas com a alimentação

Moradora também denuncia problemas com a alimentação

 

Na parte de lavanderia, o problema também é grave: os equipamentos são inadequados e os profissionais despreparados.

“Máquinas inadequadas para lavagem das roupas e lençóis do hospital, equipamentos de EPIS inadequados para os funcionários do setor, pois lavam as roupas sujas de sangue e secreções com luvas de procedimento, as roupas após lavadas não são esterilizadas e nem engomadas, trabalham com roupas desapropriadas e calçados. Quero aqui colocar uma observação sobre o risco que os mesmos correm em torno de 60% da população é portador de algum tipo de hepatite e mais recentemente temos dois casos de HIV confirmados”.

Estes e outros problemas se arrastam por 24 anos, como conta a denunciante. Enquanto isso, o município sofre e a população fica a mercê de serviços precários. “A falta de condições físicas e materiais na unidade é um problema que se arrasta por 24 anos, com ausência de equipamentos, salas inutilizáveis há 11 meses e falta de profissionais. Venho respeitosamente pedir que tome as providencias cabíveis”.

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Moradora denuncia esgoto a céu in natura dentro do pátio do hospital/Foto: cedida

Versão da Sesacre

A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que o Estado está tomando todas as medidas para resolver os problemas enfrentados na unidade de saúde de Jordão. O órgão afirma que serão tomadas providências para que não falte profissionais no hospital.

Sobre a falta de equipamentos e produtos adequados na lavanderia da unidade, a Sesacre diz que disponibiliza botas e luvas para os servidores. O órgão diz, ainda, que as novas máquinas da lavanderia já estão na unidade e o espaço reservado para a lavagem dos materiais será ampliado em breve.

Em relação às denúncias de falta de aparelhos de realização de exames, a Sesacre disse que o aparelho de raio-x está em perfeito estado de funcionamento e que o Estado vai contratar profissionais para atender a demanda do hospital.

Veja a nota divulgada pela Sesacre:

Acerca dos questionamentos feitos pela reportagem, a Secretaria de Saúde do Estado do Acre (Sesacre) esclarece que providências estão sendo tomadas para que não falte nenhum profissional da área de enfermagem na Unidade Mista de Saúde (UMS) do Jordão.

Quanto aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os servidores da lavanderia, a Sesacre reforça que a unidade disponibiliza botas e luvas para os trabalhadores. Além disso, máquinas para a lavanderia também já estão na unidade. A Sesacre está em processo para ampliação da área onde ficarão as novas máquinas.

O aparelho de Raio-X da unidade está em perfeito estado de funcionamento e a Sesacre já busca um profissional qualificado para atender na unidade, tendo em vista que o profissional que atuava na UMS, aprovado em concurso, pediu demissão e o segundo colocado convocado não apareceu para preencher a vaga.

Acerca da questão dos alimentos, a Secretaria ressalta que a alimentação é feita na própria unidade e servida logo após aos pacientes, acompanhantes e servidores sem nenhuma possibilidade de estragar, tendo em vista que a unidade conta com cozinheiras capacitadas e, além disso, a Unidade Mista de Saúde recebe a visita da equipe da Vigilância Sanitária, não tendo registros de notificações.

Com relação aos casos envolvendo os servidores,  todas as denúncias serão apuradas e, caso seja comprovada alguma irregularidade, a Secretaria tomará as devidas providências.

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