Ribeirinhos do Rio Moa denunciam ações de traficantes de animais silvestres na região

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Animais raros estão sendo capturados no Acre

Moradores às margens do Rio Moa, em Mâncio Lima, denunciaram à reportagem da ContilNet que viajantes e traficantes de animais silvestres estão retirando espécies da floresta.

A reportagem recebeu a denúncia ainda de que as patrulhas constantes realizadas pelos órgãos de proteção ao meio ambiente não estão sendo mais vista na região, o que vem facilitando o tráfico da região do Vale do Juruá.

O extrativista Raimundo Souza diz que os traficantes chegam cedo à região e capturam animais no período da tarde e à noite. “O que observamos mais é o tráfico de tracajás, papagaios e macacos. Geralmente eles vêm armados e fazem questão de que a população da região saiba. Deve ser uma forma de tentar passar medo a quem possa denunciar eles”, relatou.

O tráfico de animais silvestres é uma tarefa difícil de ser combatida, tendo em vista a dificuldade de localização das regiões e o difícil acesso para que as denúncias acabem com a prisão dos traficantes. Por ser uma região de uma grande área de floresta fechada, os criminosos acabam fugindo quando percebem que alguma operação dos órgãos ambientais vem sendo realizada.

De acordo com o superintendente do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Diogo Selhorst, muitas operações a nível nacional têm sido feitas pelas equipes do órgão.

“Temos feito muitas ações em conjunto para evitar o desmatamento no Acre, Pará e Amazonas, entre outros estados. Temos focado nas ações de fiscalização da fauna. Mas temos feito pelo menos uma operação denominada de espera na região do Juruá, principalmente no Rio Boa fé, comunidade Paraná dos Mouras e Rio Moa”, explicou Selhorst.

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Traficantes de animais capturam animais ao longo do rio Moa

O superintendente informou ainda que o há tráfico de papagaios e outros tipos de aves silvestres acontece para fins comerciais. Diogo também disse que a caça de animais como paca, macaco, veado e anta é crime com punições regidas pela lei.

“Se o ribeirinho é pego com caça para levar aos seus familiares que residem na região, não é notificado. É considerado prática normal para fins de alimentação. Mas, caso sejam pego transportando para fins comerciais na cidade, é autuado no rigor da lei”, informou o superintendente.

Diogo disse que o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) também tem total autonomia para fiscalizar e autuar esse tipo de crime, mas falta expertise nos trabalhos que poderiam ser desenvolvidos pelos órgão. E reafirmou que somente o Ibama tem efetuado as operações.

Já o diretor geral Imac, Paulinho Viana, destacou que, com o fechamento do núcleo do Ibama na região do Juruá, o órgão estadual teve que assumir as operações na região e hoje vem trabalhando com frentes na região de Santa Rosa, Jordão, além de Tarauacá e Feijó.

“Há pouco tempo capacitamos nosso pessoal para nos estruturarmos em virtude de realizarmos mais operações. O Batalhão da Polícia Militar na região do Juruá esteve em capacitação com a Companhia Ambiental para agirmos em conjunto nessas abordagens e fiscalização dos crimes ambientais”, justificou Viana.

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Segundo ainda o diretor do Imac, fiscalizações relacionadas à pesca na época da piracema e orientações de barcos e jet-skis também foram realizadas. Paulinho informou ainda que vem trabalhando a equipe para a realização de operações nas regiões do Juruá, principalmente no Rio Moa.

 

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