Pacientes de Hemodiálise denunciam más condições de atendimento e pedem socorro

O presidente da Aleac, deputado Ney Amorim, suspendeu a sessão por alguns minutos para os manifestantes apresentarem suas reivindicações

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Paciente mostra as cicatrizes resultantes do tratamento /Foto: ContilNet

Um grupo de pacientes renais que necessita fazer hemodiálise duas vezes por semana esteve na Assembleia Legislativa do Estado (Aleac) na manhã desta terça-feira (30) para expor a grave situação deles. O presidente da Aleac, deputado Ney Amorim, suspendeu a sessão por alguns minutos para os manifestantes apresentarem suas reivindicações para os membros da Comissão de Saúde do Legislativo.

Vanderli Ferreira da Silva, presidente Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados do Estado do Acre, revelou que a atual estrutura do setor de Nefrologia da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre) não tem mais condições de atender os 230 pacientes de hemodiálise.b“Atualmente o Acre é único Estado onde há quatro turnos de quatro horas cada, com último grupo terminando às 2h da manhã”, comentou Vanderli. Ele já foi paciente de hemodiálise durante alguns anos, mas recebeu a doação de um rim há dois anos.

O presidente da associação revelou ser a falta dos medicamentos Cinacalcet, Paricalcitol (Tireóide) e Calcitriol um dos grandes problemas, pois durante a filtragem do sangue muitos nutrientes e elementos benéficos são retirados e os medicamentos ajudam na reposição.

Equipamento ruim provoca lesões

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Vanderli Ferreira da Silva, presidente Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados do Estado do Acre /Foto: ContilNet

Vanderli destacou ainda o fato dos materiais usados para acessar as veias e poder realizar o procedimento serem de qualidade ruim e terem prejudicado as pessoas e provocado danos permanentes. O paciente Wenderson Ferreira, há 11 anos em tratamento, mostrou as cicatrizes e um acesso que ele precisa usar na perna.

“Além disso, os pacientes estão desesperados por conta da falta de estrutura: falta a climatização para as pessoas e o funcionamento das máquinas; medicação. Outro ponto é que, às vezes, o plantão é por feito por um médico residente, mas precisamos de um especialista”, destacou.

Vanderli denunciou ainda dois rins que teriam sido doados e remetidos para outro Estado por falta da medicação para fazer o procedimento cirúrgico. Os procedimentos poderia ter resolvido a vida de dois acreanos. Por isso ele destacou a importância de fortalecer o setor de transplantes no Acre.

Falta de medicamentos e estrutura

“Seria importante também a construção de uma nova unidade de nefrologia, pois a atual não suporta mais a quantidade de usuários. São vidas em jogo”. A paciente Cristiane Diógenes, há cinco anos fazendo tratamento, revelou estar passando por maus bocados por conta da falta de medicamentos há três meses. “É muita dor nos ossos e no corpo. A gente fica sem controle e pode cair e quebrar os ossos. E não tem outro medicamento para substituir. Além disso, a gente sente muito cansaço”.

Sinhasique apresenta indicação para auxiliar pacientes

A deputada Eliane Sinhasique apresentou na sessão da Aleac uma indicação ao Governo do Estado pedido as melhorias no setor de nefrologia da Fundhacre. Entre as melhorias sugeridas está a climatização do ambiente. Em relação aos médicos estarem receitando medicamentos que não estão sendo liberados, a deputada afirmou: “É preciso que SUS, o Creme e os médicos se unam em uma posição consensual. O remédio existe na rede pública, mas não está sendo liberado”.

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