Em Sena Madureira, médicos voluntários dão continuidade ao trabalho de padre Paulino

O projeto já existe há sete meses e conta com mais de 20 voluntários, incluindo enfermeiros, médicos especialistas e clínicos gerais

Padre Paulino sempre foi muito preocupado com o povo ribeirinho/Foto: Reprodução.

Padre Paulino sempre foi muito preocupado com o povo ribeirinho/Foto: Reprodução.

Desde a morte do padre Paolino Baldassari, ocorrida em abril deste ano, um grupo de profissionais de saúde faz atendimentos gratuitos repetindo o legado deixado pelo religioso. Na última quarta-feira de cada mês eles se dirigem às comunidades ribeirinhas de Sena Madureira e atendem gratuitamente os moradores desses locais.

Este ano as atividades foram encerrados na última quarta-feira (30) com uma grande missa. No total foram realizados mais de 1,8 mil atendimentos em 2016.

Uma das coordenadoras do projeto, a enfermeira Lúcia Carlos, explica que padre Paulino sempre foi muito preocupado com povo de Sena Madureira, principalmente com os ribeirinhos. Quando estava doente, perguntava como iam ficar as pessoas que dependiam dos atendimentos que ele fazia, por isso a preocupação do religioso inspirou o grupo de médicos a continuar o trabalho voluntário.

“Pouco antes de morrer, Padre Paulino falava muito da preocupação com Sena Madureira, por ser um município carente de médicos especialistas e por ele sempre dar assistência aos ribeirinhos,perguntava quem iria olhar por aquele povo, manifestando o desejo de que a gente atendesse a população quando ele não estivesse mais aqui”, disse Lúcia Carlos.

O grupo iniciou os atendimentos em maio, um mês após a morte do religioso. Em comboio, médicos pediatras, infectologistas, dermatologistas, cardiologistas, ginecologistas, fisioterapeutas e enfermeiros se reúnem do os meses para atender os moradores das comunidades ribeirinhas de Sena Madureira.

A enfermeira lembra com carinho os últimos meses de vida do padre, quando ela e uma equipe médica cuidaram até o último momento da saúde do sacerdote.

O que ele mais desejava era que seu trabalho pela comunidade continuasse mesmo após sua morte/Foto: Reprodução.

O que ele mais desejava era que seu trabalho pela comunidade continuasse mesmo após sua morte

“Foi uma riqueza espiritual muito grande cuidar do padre Paulino nos últimos três anos de vida dele, quando sua saúde já estava mais debilitada e nós passamos a ajudar de forma mais intensiva. Tinha uma equipe que ficava praticamente 24 horas com ele. Então, cuidar daquele homem, que pra mim é exemplo da imagem e semelhança de Cristo, que sempre esteve pronto para servir e ajudar, me fortaleceu muito a  espiritualmente”, disse Lúcia Carlos.

Lúcia Carlos falou ainda que a ideia do projeto nasceu durante a vinda do Frei Rinaldo, de São Paulo, que veio realizar a missa da saúde. Para ela as coisas aconteceram de uma forma que parecia algo providencial.

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Enfermeira “Lúcia Carlos do Samu”/Foto: Sérgio Vale

“Foi uma coisa de Deus mesmo, acho que padre Paulino intercedeu nisso, pois durante muitos anos acompanhando o padre, mas o frei ainda não tinha vindo a Sena, no entanto, um mês após a morte do padre Paulino ele veio fazer a missa da saúde. Durante a missa, ele lançou o desafio, que pra nós nem chega ser nenhum sacrifício e sim uma graça, para que o pessoal da saúde atendesse o povo da comunidade e foi a partir daí de começamos a mobilizar uma equipe de médicos voluntários, que se dispuseram a fazer parte desse trabalho”, disse Lúcia.

O projeto, que já existe há sete meses, conta com mais de 20 voluntários, incluindo médicos especialistas e clínicos gerais. Ano que vem a ação ganha mais 20 fisioterapeutas e uma equipe do doutor Suzuki realizando procedimentos cirúrgicos no próprio hospital de Sena Madureira.

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