Idoso morre após infarto em corredor de hospital e família alega negligência, em Rio Branco

Nora diz que sogro chegou a ser deixado em centro cirúrgico por 8 horas. Sesacre afirmou que sindicância foi instaurada para investigar o caso

A família do amazonense Raimundo Bonifácio Mendes, de 74 anos, que morreu no último sábado (7) no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), afirma que ele foi vítima de negligência no atendimento médico da unidade. Sandra Valente, nora do idoso, diz que ele passou por vários procedimentos no local e morreu após sofrer um ataque cardíaco no corredor.

Ao G1, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) informou, por meio da assessoria de comunicação, que um processo de sindicância foi instaurado para apurar a denúncia de negligência. O órgão informou que, normalmente, o prazo estabelecido é de 90 dias para a investigação, período em que funcionários serão ouvidos sobre o caso.

Família do idoso Raimundo Mendes acusa hospital de negligência (Foto: Arquivo da família)

A nora conta que Mendes foi transferido às pressas de Envira (AM) para a capital acreana há três semanas e encaminhado diretamente ao Huerb. O idoso passou então por exames e foi constatada uma infecção nos rins, sopro no coração e diabetes alta. Além disso, uma tomografia mostrou um coágulo no cérebro, que precisava de intervenção cirúrgica.

Por causa dos outros problemas, a família optou por esperar para fazer a cirurgia. Porém, após receber alta, Mendes precisou voltar ao Huerb e teve a avaliação da neurologia, que indicou o procedimento com urgência.

No entanto, depois de ser operado, a nora afirma que ele foi deixado por pelo menos 8 horas dentro do centro cirúrgico.”Às 23h10 a médica disse que a cirurgia tinha sido um sucesso e que a UTI estava esperando ele no Hospital das Clínicas, porque não havia no Huerb. Estava ‘entubado’ esperando para ser transferido, mas meu sogro ficou na sala de operação. Fizemos uma confusão, porque era um caso de UTI. De manhã, às 7h, estavam tirando ele do centro cirúrgico para a ambulância”, fala.
“Mataram ele no hospital”, diz nora sobre idoso

Feita a transferência, Sandra diz que o sogro ficou um dia na UTI do Hospital das Clínicas e dois dias na enfermaria, recebendo alta na última quarta-feira (4). Porém, na sexta-feira (6), começou a apresentar sintomas de que teria um ataque cardíaco. Levado novamente às pressas ao Huerb, Mendes acabou não sendo aceito pela emergência da unidade.

“Colocaram ele em uma cadeira de rodas e me encaminharam à sala de consulta, mesmo eu dizendo o histórico dele. Ele teve um ataque cardíaco no corredor, na minha frente. Somente depois disso o levaram à emergência. Depois de uns 20 minutos, o médico disse que ele estava bem e uma enfermeira mandou ele para a observação”, lembra.

Sandra, no entanto, questiona o procedimento. Ela reclama que não foi feito o monitoramento do coração do sogro mesmo depois do infarto. “O levaram para a observação, mas viram lá que o estado era grave e não o aceitaram. Ele tinha acabado de ter uma parada cardíaca, mas estava só no soro. Na madrugada do sábado [7] ele morreu”, lamenta.

Devido à morte, a família quer providências do Estado. Para Sandra, o sogro morreu por negligência, uma vez que o caso não foi tratado com a gravidade necessária. Ela acredita que a falta do monitoramento foi o responsável pelo óbito e que é estudada a possibilidade de ingressar com um processo judicial contra o Estado.

“Mataram ele no hospital. Ele estava bem da cabeça, mas ruim do coração. Então, mataram porque não monitoraram. Tiraram ele da emergência para a observação. Não vai trazer a vida dele de volta, mas quero que os responsáveis sejam punidos. Ele foi enterrado no domingo [8], estamos todos revoltados”, finaliza.

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