“O PP está pronto para administrar o Acre”, afirma Bestene

Casado, pai de três filhos e avô de quatro netos, o experiente político acredita na possibilidade de mudanças em 2018

Remanescente da Velha Guarda, o presidente do Partido Progressista (PP) no Acre, José Bestene, é um dos seus principais quadros. Sua carreira política começou 1989, quando o ex-prefeito Jorge Kalume o convidou para ser secretário de Finanças da prefeitura de Rio Branco. Depois foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), secretário estadual e municipal de Saúde, bem como presidente do Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas).

Integrante de uma tradicional família oriunda de Xapuri, a vida pública do progressista, no entanto, começou bem antes como servidor do extinto Banacre, onde foi gerente em Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Belém e São Paulo. É especialista em auditoria, com formação em Ciências Sociais e especialização em Administração Pública.

 

Na década de 90 aconteceu o ápice de sua carreira, mais precisamente em dois momentos muitos próximos: quando foi presidente da Aleac e depois quando ocupou a cadeira de secretário estadual de Saúde, na gestão de então governador Orleir Cameli.

“A minha gestão na Aleac aconteceu em uma época muito tumultuada. Atearam fogo no prédio, mataram o governador Edmundo Pinto e criaram uma CPI para investigar as obras do Canal da Maternidade”, lembrou ele, para quem o período foi um dos mais difíceis para a História do Acre.

Da experiência como secretário de Saúde, destacou-se pela restauração do antigo Pronto Socorro e pela compra de medicamentos da Holanda, que acabou com uma demanda reprimida na época. “O Barco Hospital foi outro destaque do governo do Orleir Cameli”, acrescentou.

Casado, pai de três filhos e avô de quatro netos, o experiente político acredita na possibilidade de mudanças em 2018. “A oposição está montando uma agenda positiva para os próximos meses. Estamos dialogando com a sociedade e os movimentos sociais. A ideia é construímos alternativas econômicas para o Acre”, assim concebe o dirigente.

Na sede do partido, onde foi concedida esta entrevista, é grande a movimentação de pré-candidatos, aliados, políticos e filiados. “É aqui onde passo grande parte do meu tempo”, narrou Bestene, que tem se dedicado sobremaneira na condução do partido. “O PP está pronto para governar o Acre”, enfatizou.

José Beste, presidente do Partido Progressista

Veja os principais trechos da entrevista:

ContilNet – Onde ou em que circunstâncias o senhor começou o interesse por política?

Bestene – A política está no sangue, meu irmão Felix Bestene era o nome, mas ele faleceu e então decidi me candidatar. Tenho uma irmã que já foi vereadora. Sempre fomos muitos próximos ao saudoso Jorge Kalume. Existem muitas maneiras de ajudar o próximo, porém a política é forma mais abrangente e apropriada. O Kalume dizia que a política era para servir, ou seja, é para retornar às pessoas aquilo que é delas.

ContilNet – Como o senhor avalia o Acre neste momento?

Bestene – O agravamento das crises econômica e política nos deixaram mais vulneráveis. Mesmo estando em uma região estratégica, com potenciais econômicos, digamos assim, bem identificados, ainda não saímos da economia do contracheque. Falta uma condução política empreendedora, que abranja os três setores da economia (agricultura, industrialização e comércio). Temos potenciais nas áreas farmacêuticas e de cosméticos, bem como a possibilidade de gerar riquezas com o agronegócio. Amargamos, juntamente como o Estado de Roraima, o pior PIB do país. E quais são as consequências disso: desemprego, escalada da violência, coronelismo político, corrupção e desesperança.

ContilNet – O senhor fala de uma condução política empreendedora. O senador Gladson Cameli tem esse perfil?

Bestene – Totalmente. Ele vem de uma família empreendedora, além da sua formação técnica. Os projetos estruturantes que estão em pleno andamento, como a ponte sobre o Rio Madeira, o Anel Viário entre Epitaciolândia e Brasileia, a restauração da BR-364 tem o dedo dele. É hora de pensar em alternativas econômicas para o Estado. Ele vai fomentar o setor produtivo e colocar cada região no trilho do desenvolvimento.

ContilNet – O senhor nunca trocou de partido. És favorável às cláusulas de barreira em uma virtual reforma política?

Bestene – Sim, sou a favor de que existam no máximo cinco partidos. Temos 35 no Brasil atualmente. Quanto ao PP, que já foi Arena, PDS e PPB, temos uma história muito tradicional com o nosso Estado e nossa gente. Foi o partido que consolidou o Ensino Superior no Acre por meio do ex-governador Jorge Kalume, que também implantou a Universidade Federal do Acre. O ex-governador Wanderley Dantas interligou o Primeiro ao Segundo Distrito. O Orleir Cameli integrou a Capital aos demais municípios através da pavimentação. Com o advento e a liderança do senador Gladson Cameli, somos o partido que mais cresce.

ContilNet – O que o PP faria se estivesse no governo do Estado?

Bestene – Levaríamos investimentos e tecnologia para fomentar a produção agrícola, dotando os produtores de opções, uma vez que o desmatamento e uso do fogo estão proibidos. Abriríamos e recuperaríamos os ramais, pois a maioria está sem trafegabilidade. Faríamos fazer valer o zoneamento ecológico e econômico, isto é, cultivaríamos apenas aquilo que é vocacional para uma determinada região e sem agredir o meio ambiente. Traríamos a Suframa de Manaus para verdadeiramente investir em nosso Estado, porque estamos na tríplice fronteira e, portanto, em uma região estratégica. Diminuiríamos a carga tributária para que a iniciativa privada pudesse aqui se instalar.

Faríamos, também, aquilo que chamo de inversão de prioridades, ou seja, ao invés de gastar exageradamente com propaganda, diárias de assessores e mordomias, eu direcionaria esses recursos para a Saúde, Educação e Segurança. Tentaríamos, ainda, ser transparentes com a coisa pública, alargando a participação das pessoas na administração. Acabaria com essa simbiose com algumas instituições autônomas. Enfim, seríamos um governo democrático, respeitador do contraditório e do estado democrático de direito.

Acredito na força da juventude e que os jovens acreanos, especialmente os que moram na periferia e no interior, precisam de alternativas para ingressar no mercado de trabalho, não obstante aos sagrados direitos ao lazer e entretenimento, afastando-os do perigoso mundo das drogas e do crime.

ContilNet – Como o senhor analisa o número excessivo de pré-candidatos majoritários pela oposição?

Bestene – De forma muito natural. Este é o momento de os partidos lançarem seus nomes, apresentarem seus líderes. Até o final do ano vamos identificar quem tem chances reais de ser candidato majoritário. O acordo entre os partidos de oposição é que os três melhores nomes serão os candidatos o governador e às duas vagas ao Senado.

ContilNet – O PT vai completar 20 anos no poder, gastou quase 2 bilhões, mas a BR-364 é intrafegável. Não foi precipitado o senador Gladson chamar para si essa responsabilidade?

Bestene – Olha, eu não sou engenheiro, mas posso assegurar que existem tecnologias para se construir uma estrada na Amazônia. O trecho feito do rio Liberdade até Cruzeiro do Sul está em ótimas condições. Aliada à questão energética, a BR é fundamental para desenvolver o Estado. Depois que as responsabilidades passaram para o DNIT, ou seja, para o Governo Federal, o senador Gladson precisa apoiar porque agora é outro entre na execução das obras e manutenção. Não tememos esse assunto e reafirmo: o PP está pronto para administrar o Acre.

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