Eleições: em entrevista a ContilNet, Daniel Zen se diz preparado para governar o Acre

"Implantaremos um projeto de desenvolvimento de base diversificada, principalmente através da agroindústria"

Ele tem 36 anos e considerável experiência como gestor de políticas públicas. Foi Presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) durante o governo Binho Marques e Secretário da maior Secretaria de Estado, a de Educação, na primeira gestão de Tião Viana, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT). Nas duas gestões buscou o equilíbrio entre o fazer técnico e o político, sempre visualizando o indivíduo como alvo das políticas públicas.

Formado em Direito, com mestrado em Direito Internacional, domina vários temas de sua área de formação acadêmica, que o qualifica para além do político na sua atuação enquanto parlamentar. Sempre discutiu com a comunidade, por meio de audiências públicas, e durante as várias visitas a grupos organizados. Os temas culminam na elaboração de leis, passo importante para a construção de políticas de Estado.

Zen é formado em Direito, com mestrado em Direito Internacional. (Foto: cedida)

Mas nem tudo são flores. Carrega o peso de ser o líder do governo estadual, num cenário de descrédito dos políticos e das instituições; por isto, considera o governador Tião Viana (PT) vítima do que ocorre no cenário nacional.

Daniel Zen (PT) começou a carreira pública como estagiário na Secretaria de Florestas, na primeira gestão do governo de Jorge Viana, de 1999 a 2002. Teve contato próximo com os ex-secretários Carlos Vicente, Arthur Leite e Jorge Fadel, adeptos do conceito de florestania e com largas experiências junto às cooperativas agroextrativistas e aos sindicatos rurais. Foi o primeiro contato dele com as ideias de desenvolvimento sustentável, ilhas de produtividade e sistemas agroflorestais.

O deputado – que também participou de festivais culturais como músico, saído daí o nome Zen, pelo qual é conhecido – tem uma sólida formação acadêmica e ética, capacidade técnica e articulação política que o fazem um forte pré-candidato.

Nome “Zen” veio de festivais que Daniel participava como músico. (Foto: cedida)

Em um café da manhã promovido por ele para os profissionais da imprensa, ele conversou com a reportagem sobre a sua trajetória, o PT e, principalmente, sobre suas propostas. Veja os principais trechos:

ContilNet – Quando e como foi a sua primeira experiência como gestor público?

Zen – O movimento estudantil e o trabalho como a música [Zen toca contrabaixo], notadamente com organização de eventos e a produção musical, digamos assim, projetaram-me no meio político. A Estação Zen foi a primeira banda, mas depois teve a “Habeas Corpus”, “Stigma”, a Filamedusa” e os “Los Porongas”. Realizamos o “Festival Varadouro”, que teve sete edições com músicas independentes, inclusive com a participação de bandas de fora do Estado. Neste mesmo período, eu estava me preparando para fazer concursos e passei para gestor público do Estado. Em 2006, fui lotado na Secretaria de Fazenda.

ContilNet – Foi aí que o senhor ingressou no PT?

Zen – Eu já conhecia o Aníbal, o Carioca, o Binho (ex-governador Arnóbio Marques), entre outros. O Binho foi eleito e me convidou para assumir a FEM. Acho que a militância na música e participação na administração contribuíram para a escolha. Alguns meses depois assinei a minha ficha de filiação.

ContilNet – Como foi o seu trabalho na FEM?

Zen – O Ministro Gilberto Gil institucionalizou as políticas públicas de cultura Brasil afora. Era preciso acabar com aquela coisa do balcão, onde o artista ia buscar apoio para esse ou aquele trabalho. Nós conseguimos consolidar uma politica pública para uma cultura consistente e institucionalizada, com planejamento e estratégias de longo prazo. Realizamos as conferências municipais, oportunidade em que conheci todos os municípios acreanos. Fiquei muito satisfeito com o trabalho que realizei na FEM, mesmo porque foram transformados em leis, ou seja, políticas públicas consolidadas. Destaco a que constituiu o sistema estadual de cultura, que é o Fundo Estadual de Cultura, garantindo meio por cento da receita tributária liquida. Também institucionalizamos a política de editais.

ContilNet – E como foi a sua inda para secretaria de Educação?

Zen – Na transição do Binho para o Tião, os secretários fizeram um balanço do trabalho de suas pastas. O então futuro governador ficou muito satisfeito com o trabalho dos quatro anos da FEM. Depois me chamou para várias conversas e ficou ali me ‘acerando’, ‘atalhando’, mas nunca dizia o que ele queria de mim no governo. Finalmente disse que eu ajudaria na Educação. “Sim, mas em que setor?”, perguntei. “Não, rapaz”, respondeu o governador, “estou te chamando para ser o secretário”. Confesso que ‘tremi na base’ [risos].

ContilNet – O que te marcou no trabalho realizado nessa secretaria, justamente por ser uma das mais estratégicas do governo?

Zen – A espinha dorsal da educação vai lá desde o primeiro governo do Jorge Viana. Percebe-se que todo secretário atual é melhor que o antecessor. Isso foi um planejamento a longo prazo. O segredo do sucesso, talvez, seja a continuidade desse trabalho: nesses cinco anos de governos, tivemos apenas quatro secretários de Educação. Todos eles comprometido com o trabalho do seu antecessor. O que mais me deu satisfação foi a gente perceber a evolução em dois pontos: o acesso às escolas, que se reflete nos dados de matrícula e permanência, além do e sucesso no desempenho, que vem refletido nos dados do IDEB.

ContilNet – E a experiência como deputado?

Zen – Eu me filiei no PT ainda nos primeiros anos à frente da FEM. O Léo Brito, que era presidente do PT, me fez o convite e eu aceitei. Em pensava em 2018, mas o governador e amigos disseram que o momento era aquele. O convite do partido e a benção do governador me tonaram deputado. As minhas propostas de campanha eram as várias demandas da educação, incluindo os marcos legais que já existiam: a lei de gestão democrática das escolas, o plano estadual de educação, a lei de bolsas educacionais, a lei que instituiu a política de proteção às pessoas com autismo. Mas de 75% da nossa ação parlamentar é destinada à educação.

ContilNet – Como o senhor avalia o governo de Tião Viana?

Zen – Tem muitos resultados positivos, principalmente nos dados econômicos, da produção, mesmo neste momento de crise. A gente brinca dizendo que o governo do Tião pegou as sete pragas do Egito, ou seja, foram duas alagações do rio Madeira, duas grandes enchentes do rio Acre e da crise econômica de 2012 pra cá, além da intensificação crise política de 2014 até os dias de hoje.

ContilNet – Como está a sua pré-candidatura ao governo do Estado?

Zen – Eu estou levando muito a sério. Temos quatro candidatos de verdade, que estão se submetendo a este processo democrático. O fato de ser dirigente partidário não faz de mim favorito. Eu gosto de uma citação do escritor Fernando Sabino para ilustrar essa situação: “Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”.

ContilNet – Como o senhor se sente sendo pré-candidato ao governo do Acre?

Zen – É uma honra e a enorme responsabilidade entrar nessa disputa democrática para o cargo mais relevante do Estado. É um orgulho, uma honraria para mim. Estou pronto para governar o Acre.

ContilNet – O que o senhor está dizendo às pessoas nas ruas e reuniões?

Zen – Eu tento reforçar o máximo essa busca pela qualidade. A forma mais apropriada e abrangente de melhorar a vida das pessoas ainda é através da politica. Precisamos levar ciência e tecnologia para melhorar a vida do homem no campo. Que educação continue sendo uma prioridade de Estado. Implantaremos um projeto de desenvolvimento de base diversificada, principalmente através da agroindústria. Orientados pelo zoneamento ecológico-econômico, podemos gerar mais empregos, renda e consequentemente melhoraria na qualidade de vida da nossa população.

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