‘Sabiá’ de ‘A força do querer’, fala sobre preconceito e comenta assédio

Ele comenta ainda o estereótipo do criminoso negro

A um dia do fim de “A força do querer”, Jonathan Azevedo gostaria que Sabiá tivesse uma redenção:

– Acho que, se o Sabiá tomasse um rumo diferente, seria bom para as pessoas refletirem. Só tenho a agradecer à Gloria (Perez, autora) e à equipe por esse presente. O personagem ganhou uma proporção enorme no Brasil.

Jonathan conta que, ao longo da trama, percebeu nas ruas a repercussão de seu trabalho.

– Outro dia uma pessoa me perguntou se eu era o Sabiá da novela. Eu respondi que sim e ela disse: ‘Não é, não. Você não falou ‘passa a visão’ (bordão dele na novela)’ – diverte-se. – Todos sabem que é errado, mas mesmo assim amam o Sabiá. Eu trabalhei não só em cima da questão negativa do personagem. Procurei humanizá-lo.

Segundo o ator, o assédio feminino aumentou.

Segundo o ator, o assédio feminino aumentou/Foto: Reprodução

– As mulheres dizem: ‘Sabiá, canta lá em casa’. Elas são apaixonadas pelo personagem. Rola esse fetiche do amor bandido – diz ele, que tinha cerca de 70 mil seguidores no Instagram antes da novela e agora acumula mais de 860 mil.

Jonathan diz que está “solteiríssimo”.

– Escreve isso em negrito – brinca ele. – Vivi amores maravilhosos e tive grandes aprendizados. Agora, estou trabalhando muito. Preciso de alguém que me compreenda. Quero uma pessoa que me ajude a realizar meus sonhos. O assédio está ótimo e estou aberto a propostas.

O ator, que sofreu um ataque racista na internet em agosto, fala de discriminação:

– O preconceito existe e é constante, mas estou tentando mudar dentro de mim a forma como lido com o assunto. Acho que a pessoa que fez isso tem um vazio grande que não foi preenchido. Pedi a papai do céu para dar sabedoria a ela. Estou buscando minha evolução espiritual.

Ele comenta ainda o estereótipo do criminoso negro:

– Começaram a comentar que eu só faço papel de bandido e que eu ficaria rotulado. Mas, quando surgiu o convite, eu pensei: ‘Preciso conhecer pessoas novas e abrir portas’. Com o Sabiá, eu comecei nesse lugar do estereótipo e transitei para outro, em que ele aparece como um cara que o Brasil inteiro ama. Se fizer de coração, tudo dá certo. Não posso me limitar.

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