Deputados do PDT falam pouco, mas seus últimos discursos mostram que o melhor é que fiquem calados

Jesus Sérgio criticou o Dnit antes de admitir que a população de Tarauacá está satisfeita com as obras

Numerologia eleitoral

Ainda sobre a sondagem para o governo do Estado e Senado da República, realizada pelo Vox Populi a pedido da TV Gazeta, e divulgado na última segunda-feira (6), o senador Jorge Viana (PT) aparece com 54% das intenções de voto, contra 39% de Marcio Bittar (PMDB) e 39% Sérgio Petecão (PSD). O também petista Ney Amorim desponta com 24%.

Gangorra numérica

O curioso nesse novo levantamento é que no anterior, também do Vox Populi, e datado de 31 de julho, Jorge Viana figurava com 27% na sondagem estimulada, contra 15% de Bittar, 14% do tucano Major Rocha, 11% de Petecão, 8% de Tião Bocalom (DEM), 7% de Vagner Sales (PMDB) e também 7% de Ney Amorim (PT).

Espantoso desempenho

Chama a atenção o crescimento vertiginoso de 27 pontos percentuais de Viana em apenas três meses. A única explicação – muito improvável do ponto de vista ideológico ou da coerência política do eleitor comum – é que ele tenha abocanhado quase a totalidade dos eleitores que tencionavam votar em Rocha, Bocalom e Vagner Sales – que juntos somavam 29% das intenções de voto.

Alô, Bruno Borges?

Como o caso está envolto em mistério, convém chamarmos o Menino do Acre para elucidá-lo. Afeito à codificação de tudo que pensa e escreve, quem sabe Bruno Borges também não desvende esse fenômeno.

Nem vêm que não tem!

E antes que algum apressadinho, na tentativa de explicar o inexplicável, queira embutir na conta o percentual dos chamados brancos e nulos e dos que não quiseram ou não souberam responder à pesquisa, uma rápida observação: em setembro, esse índice era de 16%, contra 33% da pesquisa atual.

Matemática do absurdo

Feita a devida observação, é óbvio que o senador petista, segundo a sondagem do Vox Populi, teria crescido mediante a retirada das pré-candidaturas dos seus principais adversários. Muito, muito estranho, não é mesmo?

Voxduto

Na coluna anterior, relembramos o fiasco das previsões do instituto em favor de Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Nesta, vamos lembrar que a Lava Jato descobriu que a empreiteira Andrade Gutierrez repassou R$ 15 milhões para o Vox Populi fazer pesquisas de consumo interno para a campanha de Dilma, mas na contabilidade oficial a empresa registrou apenas R$ 1,4 milhão.

Relações nebulosas

Em agosto deste ano, o instituto foi um dos alvos da 6ª fase da Operação Acrônimo. Deflagrada pela Polícia Federal, que investigava o esquema de tráfico de influência para liberação de empréstimos do BNDES. E adivinhe o leitor aonde foram parar os recursos da instituição financeira destinados à construção do aeroporto Catarina, em São Roque, na Região Metropolitana de Sorocaba? Acertou quem respondeu “no caixa do Vox Populi”!

Carta sem Capital

Além disso, Marcos Coimbra, o dono da empresa de pesquisa, é colunista da revista Carta Capital, cuja sobrevivência, finda a mamata do poder petista, necessita de doações, conforme vídeo publicado no YouTube pela senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman (PR).

Alquimistas

E não bastasse o fato – largamente comprovado por articulistas e repórteres de inúmeros jornais do país – de que o instituto costuma errar sempre pro mesmo lado, suas sondagens ainda são distorcidas por petistas, entre os quais o deputado Afonso Florence (BA).

Pega na mentira!

Florence afirmou, durante o processo de impeachment de Dilma, que o instituto havia aferido que 58% de brasileiros eram contra o impedimento. O parlamentar mentiu, conforme observou o jornalista Felipe Brasil, da revista Veja. À época, 58% dos entrevistados disseram que a destituição da “presidenta” não resolveria os problemas do país. Ainda assim, 57% eram a favor de sua saída.

Ilusionistas

Afonso Florence não é o único a distorcer os dados do Vox Populi. Sites ligados ao PT, como o Brasil 247, fazem o mesmo, sempre que lhes convém.

Questão de gratidão

Resta saber se o instituto não recorre à distorção dos dados em retribuição àqueles que trataram de depositar milhões de reais no cofre de Marcos Coimbra

Mal representando

O PDT do ex-deputado Luiz Tchê anda mal representado na Assembleia Legislativa, sempre que o quesito avaliado é o desempenho retórico dos deputados Heitor Júnior e Jesus Sérgio.

Tropeço

O primeiro, dia desses, em discurso para enaltecer o Dia do Dentista, tropeçou na própria língua ao afirmar que a maior incidência de transmissão de doenças como a hepatite B ocorre nos gabinetes odontológicos. Foi duramente retrucado pelo Conselho Regional da categoria, que nem sequer levou em consideração a tentativa de “homenageá-los”.

Introito – e um final inesperado –

Já Jesus Sérgio começou por condenar, ontem, a qualidade das obras executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na BR-364. Mas lá pelas tantas revelou que os moradores do município de Tarauacá estão satisfeitos com o resultado das atividades realizadas pelo órgão na rodovia.

Pela metade

O deputado foi além: lembrou que a viagem até a capital, que antes era feita em oito horas, caiu para a metade desse tempo depois da intervenção do Dnit nos trechos mais críticos.

Mui amigos!

Com um crítico assim, o superintendente do Dnit no Estado, Thiago Caetano, não precisa de aliados – principalmente o tucano Luiz Gonzaga, sempre virulento em seus discursos contra a atuação do órgão. A ponto de ser ameaçado por Caetano com uma ação judicial.

Opção fácil

Mas de volta a Jesus Sérgio, e sem querer desmerecer sua função como representante do povo acreano, entre as suas críticas e o contentamento dos que vivem em Tarauacá, a coluna fica com o parecer da população do município.

As exceções suplantam a regra

Por sinal, a qualidade da atual safra de deputados estaduais é muito inferior à que a antecedeu, sobretudo no aspecto retórico – salvo algumas exceções, entre as quais se destaca o petista Daniel Zen.

Sonífero

Assistir a um a sessão na Aleac é tarefa enfadonha. Sente-se saudades dos tempos em que à tribuna subiam oradores do quilate de Luiz Calixto, Moisés Diniz, Edvaldo Magalhães e João Correia, entre outros.

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