Acre nunca elegeu uma governadora e em 2018 disputa deve ser mais uma vez só entre homens

Há 31 anos, Iolanda Fleming assumiu o cargo por mais de um ano, após renúncia de Nabor Júnior

O maior e mais prestigiado cargo dentro do Estado do Acre, o posto de governador, jamais teve em suas disputas eleitorais uma mulher escolhida para representar o território da estrela altaneira.

A representante que ocupou por mais tempo o tão almejado patamar político foi a vice-governadora Iolanda Fleming, entre os anos de 1986 e 1987, após a renúncia do então governador Nabor Júnior para concorrer a uma vaga ao Senado Federal. Após isso, todos os decorrentes mandatos foram encabeçados por homens, desde Flaviano Melo até os dias atuais de Tião Viana.

Ex-governadora do Acre Iolanda Fleming e atual vice-governadora Nazareth Araújo /Foto: Reprodução

Com 16% de representatividade na atual formação da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) e 11% na Câmara dos Vereadores de Rio Branco, o poderio feminino ainda tenta comprovar por meio de embates e ações produtivas que a mulher tem espaço na política, assim como em qualquer outro nicho ao qual se dedique.

Municiadas de histórias como a da senadora acreana Marina Silva, que saiu dos seringais para ganhar o mundo, da chegada repentina e marcante de Dilma Rousseff à presidência da República, assim como o atual comando da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, sendo representados pelas figuras de Raquel Dodge e da ministra Cármen Lúcia, a grande questão é: quanto ainda esperaremos até ver uma política assumir o cargo de maior prestígio acreano?

Marina Silva não deixou que a distância dos grandes centros fossem um limite /Foto: Reprodução

A próxima disputa para o posto de líder do Governo do Acre ocorrerá em 2018, entre os principais pré-candidatos, duas frentes políticas encabeçadas por homens, nas figuras de Marcus Alexandre (PT) e Gladson Cameli (PP). A atual vice-governadora, Nazareth Araújo, chegou a ser cogitada como possível pré-candidata da Frente Popular, mas viu seu nome perder força com a consolidação do atual prefeito. Até mesmo uma possível terceira via de candidatura encabeçada pelo partido Patriotas, traria o Coronel Ulysses como seu representante, mas em nenhuma das pretensas chapas teremos uma mulher liderando o projeto.

Um quadro curioso e positivo para o futuro político das mulheres no Acre é que, caso seja confirmado como candidato ao Governo do Estado, Marcus Alexandre renunciará à prefeitura e deixará o comando da mais poderosa instituição municipal sob o comando de uma mulher, a professora e vice-prefeita, Socorro Neri. Criando assim o espaço necessário para que os moradores da Capital testemunhem dias de uma mulher à frente do poder Executivo.

Deputada Eliane Sinhasique ao lado de Jéssica Sales em encontro do PMDBelas /Foto: Reprodução

Entre Elianes, Lenes, Marinas, Perpétuas, Nazarets e Socorros, o pensamento é unânime: as mulheres fazem parte dos atuais quadros políticos do Acre e não tardam a deixar suas marcas cada vez mais fortes na história do Estado. Que o preconceito de gênero jamais seja suficiente para barrar um projeto de interesse público, um plano de governo eficiente ou propostas legítimas que tendem a beneficiar o Acre como um todo.

Avante, guerreiras! A luta apenas começou.

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