Com orçamento comprometido privatização da saúde do Acre é dada como certa

Conselho Estadual da Saúde já pediu ao MPE e ao MPF o impedimento da transferência de gestão do HUERB

Sem dinheiro para investir e com os orçamentos comprometidos com despesas de pessoal e custeio, o governo do Acre embora evite falar do assunto, deve privatizar a saúde pública. A pauta que provocou intenso debate entre a bancada de sustentação de Tião Viana na Assembleia Legislativa do Acre vinha sendo amplamente debatida nas redes sociais, por grupos ligados à saúde estadual e do governo federal.

O assunto que até a última terça-feira, 14, era de conhecimento apenas de sindicatos e autarquias ligadas à saúde pública, veio à baila através do deputado Raimundinho da Saúde (Podemos) quase vai as vias de fato com o colega Jenilson Leite (PCdoB) no debate sobre o assunto. O Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (HUERB), seria o primeiro na lista de transferência para iniciativa privada.

“Essa discussão de terceirizar ou mesmo de transferir a administração do Huerb para uma empresa de fora não teve uma discussão com o Conselho Estadual de Saúde, com a Assembleia Legislativa, veio de cima para baixo, sendo implantada no último ano do governo” comentou Raimundinho.

Sede da Sesacre/Foto: Contilnet

De acordo com o que a reportagem Contilnet apurou, o Conselho Estadual de Saúde já solicitou ao Ministério Público Estadual e no Ministério Público Federal, o impedimento dessa terceirização, para os conselheiros, o estado estaria admitindo incompetência na gestão da saúde pública.

Ainda de acordo o deputado Raimundinho, a empresa OS é que estaria se habilitando para a gerencia do HUERB. Para o parlamentar, o acordo feito às escuras gera muito mais instabilidade no profissional do setor que já sofre com os problemas criados pelo Pró-Saúde.

O que ninguém disse nesse contexto é que essa política vem sendo incentivada pelo governo Temer. A união vai dar aos estados garantias por meio de seus ativos, para fechar os contratos com terceirizadas. O governo estuda usar os Fundos de Participação dos Estados e Municípios como uma segunda garantia para as PPPs darem certo.

Procurada, a assessoria da Secretaria de Saúde do Estado, disse que desconhecia o conteúdo de privatização e, desde segunda-feira (13) ficou de enviar à redação, uma manifestação oficial sobre o assunto.

A governadora em exercício, Nazaré Araújo, recebeu a missão de estudar uma saída honrosa sobre o assunto. O Palácio Rio Branco quer evitar acusações de que está negligenciando um dos setores essenciais à população e evitar mais desgastes para 2018.

Diante do cenário de choque entre deputados da base, o governador Tião Viana deve se pronunciar sobre o assunto após o seu retorno da Alemanha, onde cumpre agenda institucional.

A privatização fatiada, seria uma estratégia de marketing, visando a campanha do ano que vem. A inauguração da verticalização do Hospital de Urgência e Emergência, marcada para 2018, estaria entre as ações previstas para a privatização.

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