PF prende ex-estagiário da Justiça acusado de repassar dados a criminosos

O estudante vai cumprir prisão temporária, válida por cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período

Um estagiário da Justiça Federal de Londrina, no norte do Paraná, foi preso na manhã desta segunda-feira (20), após acessar sem autorização o processo de um dos maiores traficantes do Brasil. Conhecido como “Cabeça Branca”, Luiz Carlos Rocha foi preso durante a Operação Spectrum, no início de julho.

O estudante vai cumprir prisão temporária, válida por cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período. Ele foi detido por volta das 8h30 na universidade onde estuda e, de acordo com a polícia, possui relacionamento direto e íntimo com parentes do criminoso.

“A Polícia foi informada pela 23ª Vara Federal de Curitiba de que ex-estagiário de direito da Vara Federal Previdenciária estaria utilizando senha disponibilizada exclusiva e restritamente para o trabalho com a finalidade de acessar ilegal e irregularmente o processo criminal referente à Operação”, diz a nota da PF.

Luiz Carlos é considerado o maior traficante da América Latina/Foto: reprodução

Relatórios mostram acessos constantes de ex-estagiário a processo de traficante
Os policiais também cumpriram dois mandados de busca e apreensão na cidade. “As informações da 23ª Vara Federal de Curitiba traziam detalhes dos números dos inquéritos policiais utilizados pelo ex-estagiário para acessar o processo criminal da Operação SPECTRUM, sendo que após quebra de sigilo telemático determinado pela Justiça, a pedido da Polícia Federal, foi possível identificar os acessos ilegais e irregulares ao processo criminal feito em outros Estados da Federação e até mesmo em solo paraguaio”, informou a polícia.

A quebra de sigilo permitiu identificar os usuários dos inquéritos policiais no momento exato do acesso. Os suspeitos serão ouvidos e um inquérito policial será instaurado para apurar os fatos.

A prisão aconteceu no âmbito da “Operação Controle” da Polícia Federal. O nome foi escolhido em referência ao controle da Polícia Federal, Justiça Federal e Ministério Público sobre os processos.

Maior traficante da América Latina
Luiz Carlos da Rocha estava entre os traficantes mais procurados pela PF e Interpol na América do Sul. A soma das condenações proferidas pela Justiça Federal passa de 50 anos de prisão.

Por mais de três décadas, Cabeça branca esteve no topo da lista dos criminosos mais procurados do país. Sozinho era responsável por abastecer mensalmente com pelo menos cinco toneladas de cocaína, de alto grau de pureza, países na Europa, na África e nos Estados Unidos.

Luiz Carlos mudou disfarçou o seu visual várias vezes para fugir da polícia/Foto: reprodução

Considerado pela Polícia Federal como um grande empresário do narcotráfico e chamado de Pablo Escobar brasileiro, agora está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, longe do luxo da vida milionária.

O grupo criminoso capitaneado por Cabeça Branca operava como uma estrutura empresarial, controlando e agindo desde a área de produção em regiões inóspitas e de selva em países como a Bolívia, Peru e Colômbia, até a logística de transporte, distribuição e manutenção de entrepostos no Paraguai e no Brasil, fixando-se também em áreas estratégicas próximas aos principais portos brasileiros e grandes centros de consumo, dedicando-se à exportação de cocaína para Europa e Estados Unidos.

Também foi apurado que Luiz Carlos da Rocha é um dos principais fornecedores de cocaína para facções criminosas paulistas e cariocas. Estima-se que a quadrilha liderada por ele era responsável pela introdução de 5 toneladas de cocaína por mês em território nacional com destino final ao exterior e Brasil.

Segundo as investigações, a cocaína era transportada em aviões de pequeno porte que partiam dos países produtores Colômbia, Peru e Bolívia, utilizando-se do espaço aéreo venezuelano com destino para fazendas no Brasil, na fronteira entre os estados do Pará e Mato Grosso. Depois de descarregada dos aviões do narcotráfico, a cocaína era colocada em caminhões e carretas, com fundos falsos especialmente preparados para o transporte da droga, cujo destino era o interior do estado de São Paulo para distribuição para facções criminosas paulista e carioca, ou o Porto de Santos/SP, de onde era exportada para Europa ou Estados Unidos.

comentários

Outras Notícias

Veja também