População de Sena Madureira sofre pela falta de médicos em hospital


População de Sena Madureira e de outras cidades da Regional Purus padecem pela falta de médicos

WANIA PINHEIRO, DA CONTILNET

O hospital João Câncio Fernandes, que atende uma população de cerca de quarenta mil habitantes somente de Sena Madureira, está precisando de socorro. Com apenas oito médicos para se revezarem nos plantões, há dias em que nenhum destes profissionais é encontrado no local para atender os pacientes que chegam de diversos lugares do município, que é o terceiro maior do Acre.

O João Câncio Fernandes também tem que atender moradores de Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus e de alguns povoados do Amazonas, localizados no Rio Purus. Isso aumenta ainda mais a aflição dos funcionários da instituição, e da direção, cobrada diariamente nas redes sociais.

“Somos bem-recebidos pelos funcionários, que ficam aflitos para ajudar, mas estamos morrendo à míngua pela falta de médicos para atender a população”, diz Antônio da Conceição, de 56 anos, morador do bairro Eugênio Areal, em Sena Madureira.

Com apenas oito médios para atender a população, situação do hospital de Sena está cada dia mais difícil/Foto: Divulgação

Juza Bispo: “O secretário Gemil, e toda sua equipe da Sesacre, estão atentos à situação”

O diretor do João Câncio, Juza Bispo, disse à reportagem que a Secretaria de Saúde do Estado já garantiu a contratação de mais profissionais para este mês de fevereiro.

“O secretário Gemil, e toda sua equipe da Sesacre, estão atentos à situação e se empenhando para contratar mais médicos. Posso garantir que estamos fazendo tudo o que é possível para atender a população. Hoje temos nove médicos contratadas para atender o município, mas um está afastado para tratamento de saúde”, disse Bispo.

Ainda segundo Bispo, o problema da saúde não é somente no Acre, mas em todo Brasil. “Mas a gente vai levando. Aqui temos quase todos os médicos trabalhando para o Estado e para o município. Muitas vezes a gente oferece um plantão extra, mas eles não querem porque estão cansados, sobrecarregados”, explica.

Questionado se não seria ilegal um médico ter dois contratos, até pela sobre carga de serviços, Bispo garantiu que a lei garante que estes profissionais tenham mais de um contrato.

“Calcanhar de Aquiles”

Um dos principais “calcanhares de Aquiles” do hospital João Câncio Fernandes, segundo seus administradores, é a parte ambulatorial. Centenas de pessoas procuram o hospital de Sena todos os dias, ao invés de irem se consultar com os médicos que atendem nos postos de saúde, responsáveis pelo atendimento da saúde básica.

Herculano: “O problema se agrava porque o Estado não vem fazendo a sua parte”

“Isso complica ainda mais o atendimento no João Câncio Fernandes, já que os médicos existentes no local poderiam estar apenas atendendo as emergências, visitas aos leitos ou acompanhando as mulheres na sala de parto”, explica o diretor Juza Bispo.

Para o secretário municipal de Saúde, Daniel Herculano, o problema se agrava porque o Estado não vem fazendo a sua parte. “O secretário Gemil vende que está tudo bem, mas todos sabem a situação em que encontra o hospital aqui de Sena Madureira”, alfineta Herculano.

Segundo ele, o município contratou 12 médicos para atender nos postos de saúde em dois turnos, e ainda existe um deles, o Carlos Afonso, que atende a noite. Daniel diz que, por normas do Ministério da Saúde, os postos são proibidos de funcionar durante os fins de semana.

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