Enquanto a polícia hasteia bandeiras, facções medem forças e intensificam guerra no Acre


Tentar isolar atentados criminosos como algo que só acontece "entre eles" pode ser muito perigoso

THALIS GUTIERRES, DA CONTILNET

Na manhã de sexta-feira (2), a Polícia Militar (PMAC) deu início a uma operação ostensiva de 24 horas no bairro Mocinha Magalhães, onde realizou abordagens, fiscalização de mandados e foi em busca de desarticular possíveis focos do narcotráfico no local. Para simbolizar a presença do Estado no bairro e passar a sensação de controle à população, uma bandeira do Acre foi fincada no centro da região, passando a clara mensagem de que o Acre é dos acreanos e o crime não tem vez.

Para simbolizar a presença do Estado no bairro e passar a sensação de controle à população, uma bandeira do Acre foi fincada no bairro Mocinha Magalhães/Foto: reprodução

A resposta? Menos de 24 horas depois, criminosos mostraram o real impacto da ação nas atividades das facções criminosas no estado: ZERO. No fim da noite de sexta (4), um atirador identificado até o momento apenas como Mateus, invandiu uma casa no Conjunto Novo Horizonte e após disparar mais de 10 vezes matou os jovens Gabriela Santos (18), Luana Aragão (21), Gleiciane Rodrigues(18), deixando ainda outras duas pessoas feridas antes de fugir do local.

Na manhã deste sábado a declaração dada pelos responsáveis pela investigação do atentado, afirmando que que o local onde o crime ocorreu trata-se de uma “boca de fumo” comandada por um membro do Bonde dos 13 e a possível participação dos três jovens na facção criminosa, não convenceu os internautas acreanos unanimamente e deixou o questionamento no ar: “Justifica a morte?”.

Tentar isolar os inúmeros atentados criminosos, execuções e barbáries que ocorrem no Acre nos últimos dois anos, como uma coisa que acontece em um universo paralelo ao dia a dia da população do estado é utópico e perigoso. A guerra entre facções criminosas, se assim podemos chamar, não é “coisa deles” e muito menos estaria acontecendo “só entre eles”. Estamos tratando de pessoas que andam à margem da sociedade, armadas, municiadas e sem escrúpulos sociais. Se as vítimas desses confrontos fazem parte ou não das facções, não justifica sua morte, é preciso proteger a população como um todo e entende que as mortes não estão nas facções, elas estão no Acre e nós estamos aqui.

Facções demarcam territórios em diversas partes da cidade/Foto: reprodução

Durante um conflito, briga por território, acerto de contas ou até mesmo uma possível fuga das autoridades, não vai ser perguntado quem é quem e de onde vem. Somos sim, vítimas do medo e da insegurança que assola o estado e não se percebe uma resposta imediada e de real efetividade das autoridades responsáveis pela Segurança Pública no Acre.

Primeiro apitos e agora bandeiras. Estamos entregues à própria sorte, não só “eles”, mas todos nós…

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