Ícone do site ContilNet Notícias

Que tal falar sobre sexo?

Por Edição: Marina Pinheiro

Cássio Gonçalves

Reunião familiar casual. Todos a comentar banalidades, até que o adolescente diz, fora de contexto, a palavra “sexo”! É fácil imaginar as cenas seguintes. Os mais velhos arregalariam os olhos. A mãe repreenderia.

O pai, entre a moral e o orgulho, se calaria. Os primos, se alternariam entre a zoeira e os risos sorrateiros de meia boca. Nenhuma palavra a mais, vira-se a página, passa-se ao próximo assunto… A ‘deixa’ para tratar de um dos tabus mais venenosos da atualidade é perdida.

A sociedade ocidental é perita na disseminação de um mecanismo perverso. Enquanto as propagandas e as programações televisivas incentivam o sexo, a moral religiosa o reprime. O resultado não poderia ser outro: nega-se a falar do assunto na segurança do ambiente familiar, enquanto bordeis e práticas abortivas se multiplicam no submundo social.

Mas nem é preciso chegar a esses extremos para diagnosticar o quão patológico é tal mecanismo de estímulo e repressão. Basta verificar na internet o incalculável número de sites voltados à demanda de viciados em pornografia.

Não se trata de tentar limitar o que o indivíduo pode optar como lazer, mas, sim, sublinhar os prejuízos do hábito. Pesquisas recentes comprovam que a pornografia “enfraquece” o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo ‘controle executivo’ das decisões pessoais.

Isso significa que o consumo desse tipo de conteúdo deixa as pessoas mais impulsivas e infantis, menos aptas a tomarem decisões racionais para lidar com a vida prática. Para ilustrar o que isto representa, lembremos que pessoas impulsivas são mais propensas a atitudes perigosas, como a prática de crimes… Não precisa ser assim.

Está provado que o sexo, com compromisso e afetividade, é capaz de ‘inundar’ o organismo humano dos neurotransmissores responsáveis por gerar bem-estar, saúde e equilíbrio. Mas, enquanto o assunto for tabu, não haverá naturalidade necessária para surgirem relacionamentos saudáveis a esse ponto. E essa conversa deve começar no lar.

 
Sair da versão mobile