O governador do Acre Tião Viana (PT) deve se reunir com o ministro Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, em Brasília, na tarde desta terça-feira, 24, para comunicar que o Estado, mais uma vez, atravessa uma grave crise no atendimento aos imigrantes caribenhos e africanos que ingressam no Brasil pela fronteira. Mantida pelos governos federal e estadual, a Chácara Aliança, que foi improvisada como abrigo desde abril do ano passado, em Rio Branco, está superlotada com mais de mil pessoas em condições precárias – falta água para beber, fossas e vasos sanitários estão entupidos, os colchões se desintegraram, o prédio se deteriora a cada dia e já não há espaço suficiente para acomodar tanta gente.
O que não tem faltado no abrigo é comida, mas, por falta de pagamento, a empresa de ônibus suspendeu o transporte dos imigrantes para outros Estados há mais de uma semana, contribuindo para a superlotação. Viana, que considera a situação um “drama humanitário de imigração”, disse à reportagem que tem tratado semanalmente com órgãos federais a quem, segundo ele, compete a solução.
Em 2011 e 2012 os números foram de 1.175 e 2.225 imigrantes, respectivamente. Aumentou em 2013, com a chegada de 10.779 haitianos. A tendência de crescimento continuou e até dezembro de 2014 estima-se a passagem de mais de 31 mil imigrantes pela fronteira acreana, principalmente haitianos, mas também de outras nacionalidades.
– Continuo sem entender a razão de não ser concedido o visto diretamente em Porto Príncipe, de modo que esses irmãos haitianos tenham o direito de ir aonde precisam ir ou vir, sem gastos para nós, do governo do Acre, e gastos para o governo do Brasil. São poucos vistos concedidos no Haiti por uma razão simples: basta decidir pela concessão de mais vistos. A única solução racional é essa – afirmou o governador.
