Dia da Mulher: conheça histórias de mulheres que são heroínas até debaixo d’água

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Na data em que comemora o Dia Internacional da Mulher, domingo (8), é o mesmo dia do ano de 2015 que muitas acreanas voltaram para suas casas, após enfrentar a maior enchente que assolou o Acre.

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Algumas arrimo de família, não tem a quem pedir ajuda, mas também não fazem o papel da “vítima” e escolheram protagonizar a própria história, arregaçar as mangas e tirar com as próprias mãos a lama que o rio Acre deixou sobre os poucos móveis que possuíam. São guerreiras até debaixo d’água, como é o caso de Liberdade Saldanha, moradora do bairro Aeroporto Velho, que sozinha com duas filhas menores, ironicamente no Dia Internacional da Mulher, resolveu fazer ela mesma a faxina para poder voltar para casa o mais rápido possível.

“Só somos nós três, o pai delas nos deixou, não temos por quem esperar. Não sou mesmo de esperar, se tem lama então eu vou limpar, mas quero logo é voltar para minha casa”, disse.

mulherexemploOutro exemplo de mulher protagonista é Tatiane Santos, que além de fazer a faxina da própria casa, ainda encontrou forças para ajudar a mãe, Suzete Santos, moradora da Pista, localizada na baixada. Sem terem recebidos quites de limpeza ou algo equivalente do poder público, elas foram até a mercearia mais próxima, compraram o que deu e iniciaram os trabalhos de limpeza.

“Nós não temos medo de trabalho, é cansativo, mas sabemos que temos que fazer”, declara.

A dona de casa, Socorro Souza, desesperou-se no primeiro momento em que adentrou à casa em que mora há 23 anos e nada viu além de marcas de destruição, mas afirmou que está pronta para reconstruir.

“A pior cena que vi na minha vida. Nós tínhamos levantado os moveis na esperança que a água não subisse tanto, mas o pior aconteceu. A primeira coisa que vi quando entrei foi a geladeira caída em cima do fogão. É terrível, mas já venci tanta coisa na vida que estou confiante que vencerei mais esta”, disse.

O número de heroínas anônimas que chefiam famílias não se encontram apenas na Baixada da Sobral. O número de mulheres de Catanduva, que são arrimo de família, aumentou 29,4% do ano 2000 a 2010. Enquanto em 2000, eram 7.629 mulheres que comandavam a casa, em 2010, o número subiu para 9.875.

Apesar do crescimento de mulheres independentes, a valorização financeira caiu. Para se ter uma idéia, em 2000, 3.008 mulheres recebiam de 3 a 5 salários mínimos. Dez anos depois, apenas 2.926 garantiam o mesmo valor de vencimentos. O crescimento só ocorreu para mulheres que ganham de meio a 1 salário mínimo – de 6.606 para 9.598. Os dados fazem parte do estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado recentemente.

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