Ao menos 1,8 milhão de pessoas tomaram praças e percorreram avenidas para protestar contra o governo Dilma e o PT, segundo estimativas das Polícias Militares nos Estados. O número, contudo, não leva em conta manifestações realizadas no interior, que podem elevar significativamente o total.
Dilma passou o dia trancada no Palácio da Alvorada. Convocou um gabinete de crise para monitorar as passeatas e escalou os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, e José Eduardo Cardozo, da Justiça, para se pronunciar em nome do governo.
A fala teve início por volta das 18h45. Na contramão de uma postagem feita durante a tarde nas contas de redes sociais de seu ministério, que afirmava que o “discurso de ódio fere a democracia e não gera mudanças”, Cardozo disse que as passeatas foram “legítimas, democráticas e com respeito às autoridades”. Questionado sobre a postagem na entrevista coletiva, o ministro disse que deu ordem para que ela fosse retirada do ar. Como remédio contra a indignação, contudo, ele apresentou tão somente velhas promessas e ambições petistas: o envio de um pacote anticorrupção ao Congresso e a realização de uma reforma política que, ele explicitou, deve proibir as doações de empresas. Rossetto, integrante de uma ala mais radical do PT, adotou um tom agressivo, para afirmar que a discussão de um processo de impeachment “não deve ser tolerada”.
