A segunda semana de março termina com a cidade tentando voltar à normalidade ao menos nas regiões aonde as águas do Rio Acre e seus afluentes vão baixando. Na medida em que as águas secam vê-se a verdadeira dimensão dos prejuízos: ruas completamente destruídas, árvores que há dezenas de anos faziam parte do cenário, arrancadas em suas raízes, caídas como mortas e muita –mas muita sujeira.
O perigo ronda essa fase. Nas áreas onde as águas secaram o mais sensato é promover uma grande ação de limpeza para higienizar o local. As autoridades de saúde recomendam usar água sanitária, água e sabão em boa quantidade para reduzir a possibilidade de contaminações. A leptospirose, doença transmitida pela urina do rato, é grande ameaça neste período. A água de beber deve ser tratada com hipoclorito de sódio. Todos esses materiais e produtos podem ser obtidos junto à Defesa Civil de Rio Branco.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMSUR) está dando mostras de como amenizar os impactos dessa tragédia natural de forma rápida e enérgica, o que se soma a essa grande operação de limpeza, recolhimento de entulhos e desobstrução de bueiros que o prefeito Marcus Alexandre e o governador Tião Viana lançam nesta segunda-feira, 9, no estacionamento do estádio Arena da Floresta.
A SEMSUR começou na sexta-feira, 6, o trabalho de limpeza das áreas afetadas pela cheia do Rio Acre em Rio Branco e que já não estão mais alagadas pelo Calçadão da Benjamim Constant na região Central de Rio Branco. Ali, a água fez sérios estragos e deixou um rastro de prejuízos a 380 feirantes, camelôs e lojistas, segundo levantamento preliminar do Sindicato dos Camelôs e Feirantes de Rio Branco (SINCAFE). Já neste sábado, a limpeza foi realizada no Calçadão da Gameleira, seriamente afetado pelas águas da cheia do Rio Acre.
A SEMSUR vem utilizando equipe de 18 homens e mulheres, três caçambas, um carro-pipa e veículos de apoio para avançar no serviço que antecipa a grande operação de segunda-feira. A SEMSUR calcula que 2,5 toneladas de lixo e entulho foram removidas do Calçadão e adjacências (Camelódromo, Mercado Aziz Abucater, Terminal Urbano e outros) apenas do que foi trazido pela alagação.
Mas os trabalhos serão profundamente intensificados nesta terceira semana de março. A grande mobilização de limpeza e reconstrução de Rio Branco contempla 30 equipes com 330 homens, 273 operadores e 280 equipamentos. Essa ação, executada pela Prefeitura, conta com a parceria do Governo do Estado e do Governo Federal através das Forças Armadas. Organizações como a Federação da Indústria do Estado do Acre (FIEAC), Sindicato da Indústria da Construção Civil do Acre (SINDUSCON), cooperativa, empresários e grupos ligados à construção civil.
A composição das equipes de limpeza será de 11 pessoas, sendo um coordenador do grupo. Cada equipe contará 1 retroescavadeira, 1 pá carregadeira, 5 caçambas toco/truck, 1 carro pipa e 1 caminhão ´carga seca´. As ações contam ainda com 3 carros de apoio para abastecimento (comboio de lubrificação).
Uma equipe de apoio permanecerá no aterro de inertes com 1 escavadeira hidráulica e 2 tratores de esteira. As bases operacionais serão na sede do Corpo de Bombeiros, na CEASA, e na Arena da Floresta, este coordenado pelo 7° BEC.
Nas três bases, a população poderá contar com total apoio do serviço público, incluindo assistência de agentes de endemias e entrega de kits de limpeza, entre outros serviços. As equipes serão distribuídas nos bairros onde há possibilidade de se trabalhar atualmente: Seis de Agosto, Canaã, Baixada da Sobral, Base, Centro, Triângulo Novo, Triângulo Velho, Cadeia Velha, Baixa da Cadeia Velha, Adalberto Aragão, 10 de Junho, Cidade Nova e Bairro do Quinze, Comara, Areal, Recanto dos Buritis, Oscar Passos e Sapolândia.
O coração solidário de quem deixa a família para ajudar quem precisa
“Tsunami fluvial”, “cena de guerra” e outras expressões fortes vêm sendo largamente utilizadas para descrever a situação das regiões onde as águas do Rio Acre vão baixando e mostrando os sinais do maior desastre ambiental já registrado na Amazônia. “É de doer o coração”, chegou a dizer o ministro Gilberto Occhi, da Integração Nacional, depois de visitar as áreas alagadas – mas há situações que se não compensam amenizam a tragédia: O trabalho dos voluntários nesta alagação, por exemplo, tem sido fundamental para o melhor atendimento às famílias vítimas da cheia do Rio Acre nos pontos de remoção nos abrigos mantidos pela Prefeitura e Governo do Estado.
Os voluntários fazem dos abrigos públicos um lugar menos triste neste tempo de sofrimento para as famílias afetadas pela cheia. Desabridos e de coração voluntário, eles são parte de um grande exército composto por mais de quinhentos homens e mulheres só no Parque de Exposições, o maior de todos os abrigos, onde vivem temporariamente mais de 5.000 pessoas. Os voluntários fazem de tudo, de serviço braçal a apresentação de teatro. Com amor e solidariedade eles minimizam a dor e o sofrimento de quem não pode sequer ter o conforto do lar nestes tempos de alagação. O número de crianças abrigadas no parque passa de 1,5 mil e elas gostam das atividades dos voluntários. De tão importante, o trabalho dos voluntários vem sendo destacado pelo prefeito Marcus Alexandre. Ao mesmo tempo, ele pede para que as pessoas sigam dando exemplo de solidariedade porque o rio está vazando, mas ainda vai demorar muito para que as famílias possam retomas suas rotinas.
