Rock in Rio decide não usar recursos da Lei Rouanet

riorockRecursos

riorockO Rock in Rio anunciou nesta terça-feira que abriu mão dos R$ 12 milhões que a organização esperava captar através da Lei Rouanet, que oferece isenção fiscal às empresas patrocinadoras. A quantia corresponderia a quase 7% do custo total do festival.

O motivo da decisão foi a falta de “tempo hábil” para aguardar um posicionamento do Ministério da Cultura sobre o pedido de reajuste de preços dos ingressos.

Inicialmente, os bilhetes custariam R$ 260 na pré-venda, mas subiram, nos últimos meses, para R$ 320, e para R$ 350 na venda de fato, que começa na próxima quinta-feira. Segundo a vice-presidente executiva do Rock in Rio, Roberta Medina, o reajuste foi impulsionado pela alta do dólar.

O Rock in Rio havia recebido autorização para captar R$ 18,3 milhões pela Rouanet, e pouco mais de R$ 4 milhões já haviam sido depositados por Colgate, Correios e Sky numa conta no Banco do Brasil para que o festival utilizasse os recursos.

A verba de patrocínio da Roaunet é controlada pelo governo porque se trata de dinheiro público: as empresas que se utilizam do mecanismo têm direito a isenção do imposto de renda. O valor depositado não pode ser devolvido e será aproveitado pelo Fundo Nacional de Cultura.

— Já tínhamos acertado incentivos pela Lei Rouanet com pelo menos outras quatro empresas, mas essas ainda não haviam depositado o dinheiro. Mesmo assim, em todos os casos, vamos cumprir exatamente o que assinamos para a exposição das marcas das empresas — diz Roberta Medina.

— O que não podíamos era manter o valor de R$ 260. O evento não seria viável.

Em fevereiro, o MinC emitiu um ofício dizendo que o aumento dos preços dos ingressos não havia sido autorizado. Em entrevista ao GLOBO, Roberta afirmou que pediu esclarecimentos às autoridades e estava “esperando uma resposta”. Nesta terça-feira, porém, os promotores do evento afirmaram que decidiram não aguardar mais. Assim, os valores mais altos dos ingressos estão mantidos.

— O MinC só conseguiria nos responder se poderíamos ou não aumentar o preço do ingresso em 16 de abril, data em que está marcada uma reunião da comissão que cuida dos incentivos via Rouanet. Não tínhamos como esperar, acabaríamos criando uma dúvida para o consumidor, o que não é justo. Então vamos arcar com o prejuízo de R$ 12 milhões, que é o que esperávamos captar pela Lei Rouanet — diz Roberta.

“A organização do Rock in Rio reafirma o seu respeito ao público, a transparência de suas ações e o compromisso de honrar todas as suas obrigações empresariais com bandas, órgãos públicos, parceiros e fornecedores”, afirma a nota divulgada pelo festival.

Em 2013, o Rock in Rio solicitou, via Lei Rouanet, a permissão para captar R$ 20,4 milhões, obteve a aprovação para R$ 11,8 milhões e captou de fato R$ 9,6 milhões. Em 2011, o valor pedido foi de R$ 19,9 milhões, o aprovado, R$ 12,3 milhões, e o captado, R$ 7,4 milhões.

PUBLICIDADE