O’Neill pesquisa maneiras de reverter a crescente onda de micróbios resistentes a medicamentos no Reino Unido. Nos últimos anos, a indústria farmacêutica tem se afastado de medicamentos antibióticos devido a preocupações com potenciais retornos sobre os grandes investimentos necessários.
O’Neill disse que 10 milhões de pessoas poderiam morrer até 2050 se não houver novos antibióticos sendo produzidos.
“Se o mundo não conseguir encontrar novas drogas e continuarmos nos comportando da mesma forma que fazemos hoje, em 2050 – que é o número que eu deliberadamente escolhi porque é famoso nos contextos do MINT e do BRIC – vai haver pelo menos 10 milhões de pessoas em todo o mundo morrendo todos os anos por resistência microbiana aos antibióticos”, afirma.
O’Neill é famoso como economista por ter inventado o termo econômico BRIC, bloco do qual fazem parte Brasil, Rússia, Índia e China, e MINT, que se refere ao México, Indonésia, Nigéria e Turquia.
100.000.000.000.000
Essa montanha de zeros ali em cima são os 100 trilhões de dólares que o mundo deve perder até 2050 caso o quadro atual não mude. Sendo assim, o custo de não fazer algo para mudar a situação é enorme. “Para fazer esse problema desaparecer, precisamos mudar todo o nosso comportamento, precisamos ter um melhor diagnóstico e precisamos de mais medicamentos”, insiste o especialista.
“Criar um mercado final comercial mais estável para os antibióticos deve, ao longo do tempo, incentivar o investimento nas fases anteriores do processo. Mas achamos que devemos também dar início a um novo ciclo de inovação em antibióticos, obtendo mais dinheiro no estágio inicial da pesquisa”, diz o comunicado da Comissão de Revisão Antimicrobiana, liderada por O ‘Neill.
“Um fundo global de inovação da resistência antimicrobiana de cerca de US$ 2 bilhões ao longo de cinco anos iria ajudar a aumentar o financiamento para ‘pesquisas sem um objetivo claro’ sobre medicamentos e diagnósticos, além de ajudar boas ideias a saírem do papel”.
O’Neill afirmou que é possível que os contribuintes tenham de pagar a conta do fundo. “Eu diria que, em média, distribuído entre 7,2 bilhões de pessoas, não é muito em comparação a um milhão de pessoas morrendo por ano na China ou na Índia em 2050″.
Ele quer levantar a questão do financiamento para o G20, porque esta é uma questão de grande importância para todos os países. Mas, segundo ele, a própria indústria farmacêutica pode ser persuadida a contribuir.
Isso porque, se milhões começarem a morrer em todo o mundo por falta de antibióticos eficazes – o que prejudicará não somente o tratamento de doenças infecciosas, como também pode tornar as cirurgias altamente perigosas -, a indústria farmacêutica pode acabar com o mesmo tipo de danos à reputação que o setor financeiro, argumenta O’Neill.
“Se os líderes das maiores empresas financeiras tivessem pensado um pouco mais amplamente, eles poderiam não estar sentindo um impacto tão grande quanto o que sentem hoje”, disse ele.
De acordo com a avaliação feita pela comissão, um pacote abrangente de intervenções poderia custar no mínimo US$ 16 bilhões, e não mais do que US$ 37 bilhões ao longo de 10 anos (cerca de R$ 112 bilhões).
A resistência aos antibióticos tem sido descrita pela Organização Mundial da Saúde como o maior desafio em doenças infecciosas, como malária e HIV/AIDS, hoje, ameaçando países ricos e pobres. [BBC, Anadolu Agency, The Guardian]
