A uma semana para o início da principal feira agropecuária do Acre, a Expoacre, o governo Tião Viana quer usar a festa para afugentar o clima de pessimismo na economia local por conta da crise financeira do País, e mostrar o novo momento do setor produtivo do Estado.
A partir da feira, o Palácio Rio Branco se apresentará como um dos grandes responsáveis por impulsionar a economia do campo, após 12 anos dos governos Jorge Viana e Binho Marques centrados na chamada “florestania”.
Entre os principais projetos em vitrine está o complexo de piscicultura tocado pela empresa de capital misto Peixes da Amazônia. Tião Viana apresenta o projeto como o mais inovador em execução no Brasil, e atrás somente do Chile na América do Sul.
Outro investimento “comprado” pelo governo é o frigorifico de porco em Brasileia. A Dom Porquito, com promessa de ser inaugurada em setembro, quer transformar o Acre em um dos principais fornecedores de carne suína para os países vizinhos. Peru e Bolívia já teriam firmado acordos para a aquisição do produto.
Os dois projetos são os mais expostos por Tião Viana a autoridades de Brasília e investidores de outras regiões que visitam o Acre. Mesmo procurando diversificar sua matriz produtiva, o Acre ainda tem na pecuária seu grande carro-chefe no setor rural. O Estado conta com mais de dois milhões de cabeça de boi e tem sua carne apontada como uma das mais competitivas.
O modo diferenciado da criação do gado em pastagem, livre do confinamento e da alimentação exclusiva com ração, faz o boi acreano ter uma carne de maior qualidade, ganhando o paladar dos mercados mais exigentes.
A Expoacre ainda quer expor a ampliação na produção de grãos, segmento bastante tímido no Acre em comparação com Rondônia. O governo comemora o crescimento na produção de milho e café, este último tendo o município de Mâncio Lima como um dos polos de produção.
A crise, contudo, se reflete na montagem da própria estrutura da feira. Os recursos para recuperar a área tiveram que ser reduzidos, passando de R$ 1,7 milhão em 2014 para R$ 1,2 milhão este ano. Mesmo assim, os organizadores afirmam que a Expoacre não ficará, em termos de organização, aquém das edições anteriores.
