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Por Andressa Galvão
Na verdade nem adiantaria ter tirado da boca aqueles fragmentos sólidos para tentar enxergar a sua natureza. As luzes do avião foram apagadas por causa de uma pane elétrica, segundo a comissária de bordo, logo que o serviço chegou na fileira 35 na qual eu estava até então confortavelmente instalada na poltrona.
Apesar de sentir algo estranho na boca continuei a mastigação imaginando até então que era um ingrediente crocante do “jantar”oferecido pela companhia aérea. Meu engano começou a se desfazer quando senti uma forte dor no céu da boca, seguida de gosto de sangue.
Tive sorte porque pude sentir a dor antes de engolir o maior pedaço daquilo que eu imaginava como sendo um ingrediente crocante. Minha boca sangrava muito e tive que estancar o sangramento com lenços de papel. Assustado, meu noivo pegou examinou a tigela e constatou que a mesma estava com a borda quebrada. E também identificamos que os cacos da tigela de porcelana estavam espalhados entres os raviólis.
Após estancar o sangramento na boca e a dor diminuir, chamamos a comissária de bordo. Expliquei o que havia ocorrido e formalizei durante o voo uma reclamação por escrito. Temia por outras pessoas que poderiam sofrer o mesmo acidente, principalmente as crianças, que dificilmente teriam o mesmo discernimento ou sorte que eu.
Logo que o avião pousou na pista do aeroporto de Lima, uma paramédica me examinou. Ao ver minha boca cortada pediu que fosse levada a um hospital para fazer mais exames. A funcionária da companhia me acompanhou a uma clínica de emergência da cidade. Após mais de duas horas, exausta porque já estava viajando o dia todo com meu noivo, finalmente fui atendida e foi constatado que o caso não era grave.
Espero que esse tipo de sofrimento e transtorno não se repita com ninguém, pois pagamos supostamente para viajar na melhor companhia aérea e não contamos com a segurança necessária. Espero também que o meu caso sirva para que mudem o serviço de bordo na hora em que for servida as refeições. Tomara que seja obrigatório manter as luzes acesas durante as refeições, pois manter a visão dos passageiros é fundamental.
O meu caso foi um acidente que talvez poderia ter sido fatal. Amedronta saber que milhões de pessoas são servidas com em tigelas de porcelana e estão expostas ao mesmo risco que corri.
Veja o vídeo do relato da jovem:
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Na segunda-feira (13), em resposta à minha reclamação, a TAM foi lacônica: “Seu comentário foi recebido com sucesso no dia 13/07/2015. Um de nossos executivos tomará seu caso e entrará em contato com você para dar resposta a sua solicitação dentro dos próximos 30 dias”. Estou a aguardar.
Andressa Galvão é estudante de psicologia
