Desordem urbana: governo é o que mais desrespeita os espaços de circulação, diz engenheiro

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O ordenamento urbano em Rio Branco voltou a ser alvo de críticas. Algumas moderadas, outras, mais contundentes. “A prefeitura não consegue gerir o sistema, que me parece sofrer uma paralisia”, avalia o policial federal e mestre em Engenharia Urbana, Roberto Feres.

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“Radares e pardais, embora necessários, não devem ser usados como pegadinhas para impulsionar a indústria das multas, diz o engenheiro, para quem os bairros do Bosque e Estação Experimental são subregiões muito problemáticas. Segundo ele, “um bom exemplo governamental seria bom começo para melhor”. Leia a entrevista:

Que avaliação o sr. faz da engenharia de tráfego na capital?

Já foi pior, melhorou no início do atual governo municipal, quando parecia que a RBTrans estava assumindo definitivamente seu papel, mas de uns tempos para cá parece que houve uma paralisia do setor. O que não pode acontecer é voltar à fase “cachorro de muitos donos” onde o governo do Estado determinava e fazia as obras na cidade, contrariando o planejamento local e deixando os abacaxis pro prefeito resolver.

Quais ações são necessárias para promover harmonia e equilíbrio do espaço urbano em Rio Branco?

As mensagens que a administração passa tem que ser claras e constantes. Não se pode ter um plano diretor modificado cada vez que contraria algum interesse do governo. As obras públicas deveriam ser as primeiras a cumprir estritamente a legislação.

Rio Branco se tornou uma cidade muito espalhada, cheia de vazios urbanos e com muitos bairros em áreas problemáticas. Isso deixou a administração muito cara e refém de resolver problemas.

As soluções todas dependem de direcionar os investimentos para obras que otimizem o aproveitamento da infraestrutura, tenham qualidade para serem duradouras e melhorem o transporte coletivo. Senão nunca a cidade vai caber no próprio orçamento.

desordemurbana2Houve avanços decorrentes de iniciativas da Câmara de Vereadores ou da própria prefeitura?

Tenho acompanhado pouco a atuação da câmara, mas minha impressão é a de que o prefeito atual é muito mais presente e suscetível às reivindicações que o anterior.

Como se sente o cidadão que passa horas em busca de uma vaga para estacionar no centro e em regiões adjacentes da capital?

Hoje o problema de estacionamento no centro está melhor equacionado com as vagas rotativas. Geralmente esse serviço tem um custo para a administração maior que o que arrecada (ao contrário do que a população imagina) e dá alguma sobrevida ao comércio tradicional do centro. Talvez por isso tenho encontrado totens inoperantes, dificultando a emissão do ticket. Creio que o problema maior de estacionamentos aconteça agora em alguns bairros mais dotados de serviços e comércio, como a Estação e o Bosque.

Até que ponto isso é ruim para a saúde das pessoas?

O trânsito é algo que me deixa irritado e acho que deve irritar também a maioria da população. Para mim é veneno puro. Há várias coisas que ainda o deixam pior: motoristas que dirigem agressivamente, excesso de motocicletas e, principalmente, interferências realizadas na via pelos agentes públicos, como manutenções em horários inadequados ou até atos públicos em horários de rush ou ocupação com eventos diversos.

Os cidadãos estão cientes de seu papel?

Há muito que melhorar nas relações da população no trânsito e sistema de transportes.Em alguns momentos Rio Branco teve campanhas que deram muito sucesso e depois foram abandonadas. Dois exemplos eram os treinamentos de motoristas e cobradores de ônibus promovidos pelo DTP, nos anos 80, quando Flaviano era Prefeito, e os cursos de direção defensiva oferecidos pelo Detran aos taxistas, na administração do Fernando Melo.

Há comunicação eficiente do município com os cidadãos para fins de conscientização?

Ainda quem aparece fazendo algo está associado ao Detran e não à prefeitura.
O município ainda precisa resgatar na plenitude seu papel de organizador local e articulador de todas as ações para a boa gestão do sistema.
É uma área que a propaganda do serviço público é pouco explorada ainda.

Tantos radares e pardais são necessários numa cidade “encolhida” como Rio Branco, cuja frota aumenta substancialmente todo ano?

A fiscalização do trânsito é importante tanto para a manutenção da segurança quanto da educação dos motoristas e pedestres. Respeitando as regras se melhora muito a fluidez. O que se precisa ter claro é que os radares e pardais não podem ser usados como pegadinhas para funcionarem como indústria de multas.
É bom lembrar, que quando todos dirigirem dentro das normas, o sistema não gerará receita alguma.

O assunto é engenhos de publicidade (outdoor), tráfego de entulho e terra no logradouro, tapumes, barracão de obra, mesas e cadeiras sobre o passeio, toldos, eventos e feiras no logradouro ou em propriedade. Há disciplina nesta questão?

Já foi pior, mas pode melhorar muito. Há muita lei regulando essas coisas e pouca fiscalização, principalmente quando se distancia da região central. Como já disse antes, o poder público é um dos que demonstram menor respeito pelos espaços de circulação, fechando vias nos momentos mais inoportunos. Do código de posturas ao de trânsito, passando pela legislação de obras, tributária e ambiental, há regras que impedem ou regulam o uso das vias ou os serviços e atividades. Um bom exemplo governamental seria um bom começo para a melhora desses aspectos.

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