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Servidores do Samu são expostos a materiais contaminados; reforma é questionada

Por Assem Neto, da ContilNet Notícias

perigo

Vômitos, sangue, fezes, urina e outros materiais biológicos retirados das ambulâncias do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) são jogados dentro de um córrego que deságua no Rio Acre. O crime ambiental ocorre no posto de lavagem que fica no pátio do prédio que abriga, precariamente, motoristas, técnicos em enfermagem e enfermeiros. O Ministério Público foi acionado a tomar providências em denúncia formalizada pelo Sindicato dos Condutores de Ambulância do Acre.

A reportagem de ContilNet teve acesso ao documento-denúncia, que revela a exposição dos profissionais da saúde a contaminações diversas. São eles que fazem a limpeza do interior das ambulâncias, sem os equipamentos de Proteção Individual (EPI´s). Dois lavadores que fazem a limpeza externa das ambulâncias também estão desprotegidos. O serviço é terceirizado, mas o Estado não cobra providências da empresa contratada para evitar o contágio dos trabalhadores. A reportagem flagrou situações em que o lavador aparece sem máscara, luvas, botas e avental – EPI´s obrigatórios.

O sindicato denuncia ainda que os aprovados no concurso público para motorista não foram chamados, enquanto o governo põe servidores de outros órgãos para exercer a função sem as habilidades exigidas por lei. Os trabalhadores questionam, também, a demora de dois anos para a conclusão de uma reforma que já consome mais de R$ 600 mil.

“Houve um aditivo de 30% sobre o valor principal. e o prazo de execução, inicialmente de 3 meses, já é superior a 2 anos”, disse o vice-presidente do sindicato, José Ayache.

Algumas partes concluída da obra apresentam vários problemas, como paredes morfadas e encanamentos estourados. O prédio dispõe de um banheiro medindo 3 x 2, onde os trabalhadores tomam banho, escovam os dentes e fazem as necessidades fisiológicas simultaneamente. As camas são insuficientes na sala de repouso, bem arejada, apelidada de “ninho de rato”. Um técnico dormia sobre dois palites (usado em supermercados para guardar mercadorias).

“As ambulâncias não tem ar condicionado e isso é ruim para o paciente transportado. Os nossos uniformes somos nós que compramos”, informou um enfermeiro. “A gente sabe que vem dinheiro para tudo isso”.

O outro lado

A coordenadora do Samu, a enfermeira Lúcia Costa, foi procurada para responder as denúncias. Numa primeira informação, repassada pelo vigilante, a enfermeira estava dormindo. Na chefia de gabinete, em seguida, foi solicitado que o repórter esperasse, pois a coordenadora estava reunida com uma médica. Algum tempo depois, veio a informação de que Lúcia não estava no prédio, e sim numa reunião na Secretaria de Saúde. Uma assessora não se importou ao ser alertada que a falta de uma versão oficial do Samu poderia causar desgastes ao governo, em especial no setor de saúde.

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