Rio Branco, Acre,


Marina espera que registro da Rede seja julgado a tempo de lançar candidaturas

"É preciso que se observe os prazos, para que possamos ter as candidaturas. Se a Justiça Eleitoral extrapolar o prazo, aí seria algo fora da realidade", afirma ex-senadora

Marina: “Nós não vamos ter nenhuma pressa em ter candidaturas só por ter candidaturas"
Marina: “Não vamos ter pressa em ter candidaturas só por ter candidaturas” Fotos: Altino Machado

A ex-senadora Marina Silva disse nesta sexta-feira, em Rio Branco, onde participa de uma audiência pública sobre mudanças climáticas, que seu grupo político torce para que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julgue na primeira quinzena de setembro a concessão do registro para a criação do partido Rede.

“É preciso que se observe os prazos, para que possamos ter as candidaturas, aquelas que forem possíveis, em função das eleições do ano que vem. Se a Justiça Eleitoral extrapolar o prazo, aí seria algo fora da realidade, até porque estamos nesse processo há muito tempo”, afirmou.

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Marina disse que a Rede discute no país inteiro sobre o lançamento ou não de candidaturas. “Nós não vamos ter nenhuma pressa em ter candidaturas só por ter candidaturas. Nós queremos que nossas candidaturas sejam programáticas. Vamos fazer essa avaliação em cada realidade”.

A ex-ministra lembrou que a Rede, em 2013, coletou as assinaturas necessárias, mas houve, segundo afirmou, uma ação dos cartórios para prejudicar o registro do partido. Marina disse que a Rede apresentou neste ano, em tempo hábil, 56 mil assinaturas, sendo que a exigência era de 32 mil. “Com certeza a Justiça vai ponderar que o registro terá que sair no prazo que permita as pessoas se filiarem para que possam ser candidatas”, acrescentou.

O Ministério Público Eleitoral opinou, em parecer enviado ao TSE, pela concessão do registro para a criação da Rede. A manifestação será analisada pelos ministros do tribunal. Assinado pelo vice-procurador-geral-eleitoral, Eugênio Aragão, o texto defende que a Rede ultrapassou 487 mil assinaturas de apoiamento exigidas por lei, tendo registrado 498.317 firmas.

Para o Ministério Público, a Rede não pode ser enquadrada na nova legislação, em vigor desde o começo deste ano, que dificulta a criação e fusão de legendas. De acordo com a norma em vigor, para registro de novos partidos só serão aceitos apoiamentos de eleitores não filiados a outra sigla. A exigência era apenas das assinaturas na legislação anterior.

“Tem sido uma longa jornada, muitos obstáculos foram colados, leis foram criadas de encomenda para tentar evitar o nosso registro, mas agora temos o parecer favorável do Ministério Público e estamos aguardando o julgamento”, comentou a ex-senadora.

A Rede é um partido, segundo Marina, que nasce da iniciativa de um conjunto de pessoas da sociedade brasileira identificadas a discussão do desenvolvimento sustentável e a renovação da política. “Foi um processo voluntário de milhares de pessoas que coletaram mais de 1,1 milhão de assinaturas. Portanto, não deveria estar enfrentando as dificuldades que está enfrentando para se regularizar. Acho que é só uma questão de tempo e vamos ter o nosso registro”.

Mudanças climáticas

A ex-ministra do Meio Ambiente participará da audiência pública organizada pela Assembleia com uma palestra intitulada “Um modelo de desenvolvimento para lidar com a crise climática”, a partir das 15h, no auditório da libraria Paim. Também participaram da abertura do evento o senador Jorge Viana (PT-AC), o prefeito de Rio Branco Marcos Alexandre (PT) e a chefe da Casa Civil do governo do Acre, Márcia Regina, que representou o governador Tião Viana (PT).

“As pessoas nos chamavam de ecochatos, ecoterroristas, porque ficávamos falando de problemas de seca. Agora estamos vendo o que está acontecendo em regiões populosas, como Rio e São Paulo. É uma realidade e cada vez mais existe necessidade de ações ações para mitigar aquilo que causa os impactos na biodiversiade”, afirmou ao defender uma agenda de adaptação.

marina2Segundo Marina, quando os problemas acontecem, como é o caso do Acre com suas enchentes, já não é apenas necessário mitigar, mas adaptar. “Como nós vamos nos adaptar aos fenômenos das mudanças climáticas? Quais as tecnologias, os novos produtos, os novos materiais, qual a nova engenharia, a nova economia para a realidade que já está nos afetando? Temos que fazer um esforço profundo para mudar o atual modelo de desenvolvimento”, acrescentou. “Quando digo que é preciso sair de um modelo insustentável para um modelo sustentável de desenvolvimento, mesmo que eu não diga uma palavra sobre o atual modelo, eu já estou fazendo uma crítica radical ao atual modelo”.

Marina lembrou que a Amazônia é uma das regiões mais frágeis do ponto de vista das alterações do clima, sendo ao mesmo tempo uma das que mais ajuda no equilíbrio do planeta. “Se a Amazona for destruída não só trará um prejuízo enorme para nós, os brasileiros, como seria uma bomba de CO², pois as pessoas não têm dimensão do que é o impacto da destruição, fazendo com que esse material orgânico, a biomassa, seja lançada na atmosfera. Fazer esse debate Ao acre, na terra onde surgiu o conceito de socioambientalismo, é muito relevante”, disse.

A ex-ministra disse que os cientistas estão avaliando qual a influência de vários fenômenos na realidade de cada região, de cada microclima. “Mas não há dúvida de que nós já temos uma alteração no sistema climático, que vem mudando sobretudo o regime de chuvas no Brasil. Temos uma grande quantidade de chuvas  num período muito curto, chuvas que deveriam acontecer em seis meses, que muitas vezes acontecem quatro meses, criando um volume de água que a terra não tem capacidade de absorver de forma mais rápida, causando prejuízos como os que pudemos observar recentemente em cidades do Acre”.

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Deputado Janilson Leite: “Desafio ético de aprender com nossos erros para mudar nossa visão de desenvolvimento”

A audiência pública foi idealizada pelo deputado estadual Janilon Leite (PCdoB) para que a sociedade possa refletir sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, na Amazônia e, particularmente,  no Acre. Foram organizados vários painéis de discussão com a participação de cientistas, gestores públicos, representantes de comunidades indígenas, ambientalistas e parlamentares.

“A maioria esmagadora da comunidade científica internacional defende a tese de que o aquecimento global é fruto do modelo de desenvolvimento que temos seguido nesses dois últimos séculos, que tem sido baseado no consumo de combustíveis fósseis e na destruição e queima de florestas”, afirmou o deputado.

Segundo Leite, lidar com esse grave problema impõe para todos o desafio ético de aprender com nossos erros para mudar nossa visão de desenvolvimento. “Precisamos buscar outras formas de geração de energia, potencializando a geração de energia de fontes renováveis, proteger e usar com sabedoria nossos solos e  nossas florestas. Precisamos também recuperar  as vastas terras degradadas e investir cada vez mais para tornar  a produção industrial, agrícola e pecuária cada vez mais sustentável, reduzindo assim a contaminação dos solos, da água e do ar e a perda de biodiversidade”, concluiu.

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