Rio Branco, Acre,


Médico Allan Areal recebe título de mestre em doenças tropicais pela Universidade de Brasília

Pesquisa de Alan Areal busca entender por que a hepatite B e Delta, no Acre, é tão mais agressiva que as hepatites de outras partes do planeta

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Allan Areal foi aprovado por unanimidade pela banca examinadora/Foto: Arquivo Pessoal

O médico Allan Areal, natural de Sena Madureira, foi aprovado na semana passada por uma banca examinadora da Universidade de Brasília (UnB) e recebeu o título de mestre em doenças tropicais. Com a pesquisa intitulada  “Estudo Clínico Epidemiológico e Genotipagem da Hepatite B e Delta em Sena Madureira”, Allan buscou entender por que a hepatite B e Delta na região é tão mais agressiva que as hepatites de outras partes do mundo.

Para o médico infectologista, o título obtido UnB, após dois anos de estudo, significa uma grande conquista. Ele se sente otimista por poder ajudar mais pessoas através do resultado da pesquisa.

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“Foram mais de dois anos com intenso e profundos estudos nos pacientes de Sena Madureira, na área de infectologia e medicina tropical. Atualmente, centenas de pacientes recebem atendimento especializado no município e realizam seus tratamentos na unidade de saúde Carlos Afonso Vieira Araujo. Com a defesa da tese ficou a sensação de dever cumprido. Estou muito feliz”, disse.

Allan Areal conta que a realização do trabalho só foi possível devido ao esforço de muitas outras pessoas. “Foram parceiros importantes, como o governo do Acre, prefeitura de Sena Madureira e suas respectivas secretarias de saúde, além do Laboratório Central, Hospital das Clínicas e muitos outros parceiros, profissionais lotados nas unidades hospitalares acima citados”.

Allan é analisado por banca da UNB
Allan é analisado por banca da UNB

Após a terceira fase da conclusão do mestrado em medicina tropical, o médico acreano poderá se tornar o autor de uma das mais significativas pesquisas científicas sobre hepatite B e Delta na Amazônia.

A pesquisa de Areal foi realizada em Sena Madureira, que é o segundo município com maior número de pacientes vítimas de hepatites, no Estado.

Com um grupo de pesquisa formado por aproximadamente 400 pacientes portadores do vírus da Hepatite B e Delta, o trabalho de Areal findou com o encaminhamento de amostras para Salvador (BA) e, posteriormente, Alemanha, onde foi realizada a genotipagem dos vírus.

“Foi um estudo que nos trouxe dados importantes, que nos ajudaram a entender por que a hepatite Delta da Amazônia é tão mais agressiva que a hepatite Delta de outros lugares do planeta”, assinalou.

Disposto a entender o porquê da agressividade do vírus que atinge a Amazônia, o médico e pesquisador espera contribuir de alguma forma para ameniza uma mazela que tem feito muitas vítimas no Acre.

“É indiscutível que temos um tipo mais agressivo. Temos garotos, adolescentes de 14, 15 anos, que chegam com o fígado destruído pelo vírus. Eles já entram como candidatados ao transplante de fígado”, acrescenta.

Allan Areal foi selecionado para o mestrado após concorrer com estudantes de todo o Brasil. “O estudo que estamos realizando sobre a genotipagem dos vírus, que é realizado nesses pacientes com hepatite, contribuirá enormemente na melhoria da vida dessas pessoas tão sofridas devido aos efeitos severos decorrentes da ação viral, uma vez que os vírus das hepatites são considerados os principais agentes das formas graves de doença aguda e crônica de fígado”, explica.

O médico já trabalha na área de infectologia e tem se dedicado a entender melhor a evolução e a causa das hepatites encontradas no Acre. A hepatite D, ou delta, é uma forma de hepatite, que sempre se manifesta na presença de outro tipo de hepatite, a hepatite B ou o vírus desta.

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Preconceito e timidez

Com uma população de cerca de 40 mil habitantes, sendo que deste total 62% vivem na zona urbana, Sena Madureira tem 400 pacientes diagnosticados com hepatites.

Para o médico Alan Areal, o que mais espanta neste elevado número é a demora no diagnóstico e a falta de imunização. “Ainda é baixo o número de pessoas que procuram para serem imunizadas, e isto é assustador diante de um quadro como este”.

Ao alto poder de destruição das doenças é somado o preconceito e a timidez que impedem as vítimas de buscar um diagnóstico. De acordo com Alan Areal, a demora na busca do diagnóstico pode tornar mais difícil o tratamento da doença.

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