Rio Branco, Acre,


Movimento ‘Vem Pra Rua’ espera 10 mil pessoas em Rio Branco no próximo domingo

Operação G-7, obras da BR-364, saúde precária, pior escola do país e greve de professores devem pautar ato público no Acre

Advogado Roberto Duarte Junior
Advogado Roberto Duarte Junior

Mais de 10 mil acreanos são esperados pelos organizadores de um ato público contra a corrupção, marcado para o próximo domingo (16). A concentração será na praça Povos da Floresta, em frente ao Palácio Rio Branco, sede simbólica do governo do Acre. O advogado Roberto Duarte, um dos organizadores da manifestação, informou que as autoridades ligadas à segurança montam um esquema para garantir a ordem.

Os organizadores planejam uma caminhada pelas principais ruas centrais da cidade, com a possibilidade de os manifestantes seguirem pela ponte Juscelino Kubitschek, fazer o contorno pelo Calçadão da Gameleira, entrar na Via Chico Mendes, voltar pela ponte Wanderley Dantas, seguir pela Rua Mal. Desdouro e Avenida Brasil, onde está situado o escritório do governador, e retornar ao Palácio Rio Branco.

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A pauta da manifestação inclui críticas às obras da BR-364, considerada “concluída” há vários anos, além da operação G-7 da Polícia Deral, que prendeu dezenas de gestores públicos e empreiteiros. A escola estadual Dr. Augusto Monteiro, considerada a pior do Brasil segundo dados do Enem, será lembrada como uma “vergonha nacional”.

Os serviços de saúde prestados pelo Estado também serão alvo de duras críticas, além da polêmica mais recente envolvendo as ameaças de demissão de professores que participam da greve mais longa do Acre.

Leia os principais trechos da entrevista com o advogado Roberto Duarte:

Qual estratégia o movimento está usando para garantir o povo nas ruas, no próximo domingo?

O movimento está fazendo campanhas e convidando a população basicamente pelas redes sociais e buscando divulgar a manifestação nas faculdades e escolas secundaristas. Estamos também visitando os sindicatos e convidando todos para participarem. O movimento é popular e, sendo assim, não possui financiamento para custear despesas com mídia. O povo vai para as ruas porque anseia por justiça no combate à corrupção e tantos outros desmandos que vivemos em nosso país e no Acre.

A Força Sindical estará presente?

Após observarmos tantos desmandos e tanta roubalheira envolvendo os governos estadual e federal esperamos que a força sindical também participe das manifestações do próximo dia 16 de agosto, tanto na esfera federal quanto na esfera estadual. Estamos torcendo por isso.

Que fatos marcantes na política do Acre devem ser lembrados durante a manifestação?

A conhecida operação G-7, maior escândalo de corrupção da história do Acre, ocorreu debaixo do nariz do governo Tião Viana (PT). O atual governo deixou inúmeras obras inacabadas e de péssima qualidade. Um exemplo é a BR-364, que deverá fechar assim que começarem as chuvas na Amazônia. Temos hoje, segundo o MEC, a pior escola do Brasil, mostrando a situação calamitosa da nossa educação, sem adentrar no fato da humilhação aos professores, com as ameaças de cortes de pontos e demissões jamais praticadas por um governante acreano. Nossa saúde está na UTI, e vai de mal a pior. Isso é fato público e notório. A estagnação econômica no Acre, por incompetência na implementação de políticas públicas de desenvolvimento, é desastrosa. O governo deve mais de R$ 300 milhões aos empresários acreanos e isso tem impactos em toda população. Esses são uns dos fatos mais marcantes para pedirmos o “Fora Tião!”.

A forma como o Estado tratou os professores vai merecer um capítulo à parte no ato do próximo dia 16?

A forma como os professores vêm sendo tratados pelo governador Tião Viana certamente será um capítulo à parte. Jamais tivemos em nosso Estado tamanho desrespeito e arbitrariedade por parte de um governante com umas das principais categorias do nosso Estado e do Brasil. Os professores não podem sofrer ameaças veladas. Muitos me relataram que tiveram problemas psicológicos originado pela forma como foram tratados. A forma ditatorial e desrespeitosa com a qual eles foram tratados merece e terá um capítulo à parte na manifestação do próximo domingo, não tenha dúvidas.

Há uma preocupação com a segurança dos manifestantes?

Sim, existe uma preocupação com a segurança dos manifestantes e do próprio movimento, uma vez que houve ameaça no âmbito nacional de que militantes petistas sairiam às ruas com armas nas mãos para defender os interesses da presidente Dilma, caso sintam-se ameaçados de deixar o cargo. Mas aqui, no Acre, já oficiamos o Ministério Público, Polícia Militar, Gabinete Civil e outros órgãos de segurança sobre nosso movimento. Inclusive, tivemos uma ótima recepção por parte da Polícia Militar, que se mostrou bastante sensibilizada e vai montar uma operação para garantir segurança ao evento e aos manifestantes. Deixamos claro que nossa manifestação é pacífica, ordeira e democrática e, principalmente, que não aceitamos sob hipótese alguma qualquer tipo de vandalismos e depredação do patrimônio público.

Que instruções a organização passa à população para evitar confronto e desordem?

Primeiramente, pedimos a toda população que vá para as ruas com o espírito desarmado, que pensem na democracia e respeitem as autoridades constituídas. Se houver qualquer tipo de incidente desligaremos o som e pediremos a população que indiquem quem são os baderneiros para que a autoridade policial possa agir. Queremos organizar uma festa linda e democrática, acima de tudo alegre.

Na sua opinião, qual a lição que devemos tirar desta mobilização que, espera-se, seja a maior de todas no Acre e no Brasil?

Os políticos devem temer o povo nas ruas e não a população temer os políticos que estão temporariamente no poder. Temos que entender que é o povo, somente o povo, que tem o poder de colocar e tirar um governante. E o povo decidiu ir às ruas para protestar contra esses políticos que têm saqueado os cofres públicos no Brasil e no Acre.

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