A segurança Pública no Rio de Janeiro está indo de mal a pior. Nada funciona. As tão propalada UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), em sua maioria, criadas às vésperas da Copa do Mundo do Brasil, e que servem para esconder a falta de segurança na capital carioca, não funcionam. Nunca funcionaram.
A prova maior de que a segurança vai mal, foi uma operação de 100 homens das três policias, Federal, Civil e Militar, para prender um traficante que comandava o tráfico de drogas no Complexo da Pedreira. Quem conhece o Rio de Janeiro, sabe que este complexo não é nada em comparação ao complexo da Maré, outra comunidade dominada pela bandidagem carioca. Na verdade, a Pedreira não tem relevância alguma no crime organizado.
Não será a morte do traficante Celso Pinheiro Pimenta, conhecido como Playboy, nem a prisão de seu braço direito, o traficante Latércio Alvarino de Azevedo, de 25 anos, conhecido como Limão, um dos chefes do tráfico no Caju, na Zona Norte do Rio, que vai amenizar a situação no Rio de Janeiro.
Na verdade, a instalação das 38 unidades nas diversas comunidades, começando pelo Morro Dona Marta, localizada na zona sul (Botafogo), em 2008, serviu para fazer propaganda política do governo fluminense.
O objetivo principal do projeto das UPPs é o de colocar serviços públicos nas comunidades dominadas pelos bandidos. De quebra, eles acabariam com a comercialização do tráfico de drogas, mas não foi isso que aconteceu.
Em algumas comunidades, os serviços públicos essenciais até que foram levados, mas diminuir ou acabar com a bandidagem e com o tráfico de drogas, isso nunca vai acontecer.
Os bandidos, expulsos das várias comunidades da cidade, migram para municípios próximos à capital. Os moradores desses municípios vivem reféns e com medo dos bandidos. Em algumas situações, ou quando são contrariados. Isso mesmo, eles implantaram o toque de recolher.
Além dos bandidos, agora tem a milícia, geralmente formada por policiais ou ex policiais, que cobram taxas de segurança nos conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, dos comerciantes e vans que atuam legalmente e clandestinamente nos bairros do Rio de Janeiro.
Nos bairros de classe média e alta e no centro da cidade, a segurança é feita por policiais e bombeiros militares, pagos por comerciantes e condomínios. Se não tiver “acerto”, comerciantes e moradores correm o risco de sofrerem assaltos em seus estabelecimentos comerciais e nas ruas. E não adianta chamar a PM, ela não atende as chamadas, obviamente.
Voltando ao assunto da (in) segurança carioca, nos últimos dias os traficantes colocaram as asinhas de fora e estão dando as cartas nas comunidades cariocas que contam com UPPs. Todos os dias ouvimos e lemos nos noticiários troca de tiros entre policiais e bandidos, e ataques às UPPs. Não existe mais respeito.
Nos sucessivos confrontos que ocorrem entre policiais e bandidos, é o morador da comunidade quem leva a pior. Sempre uma bala perdida atinge fatalmente um deles, deixando a comunidade revoltada. Essa bala nunca sai do cano da arma do bandido, é sempre disparada por um policial.
Prova da falta de treinamento dos policiais militares, que fazem operações e agem sem nenhum planejamento.
Como diz um dito português, por ocasião da invasão francesa à cidade portuguesa de Abrantes, vai ficar tudo como dantes no quartel d’Abrantes.
*Raul Rodrigues Azedo é jornalista, trabalhou em diversos jornais do País.

