Rio Branco, Acre,


Apple usa recursos dos rivais mas ainda se destaca

Já as críticas e piadas contra a Apple fazem parte do "clima" do setor tecnológico. "É como futebol, cada um tem um time e acaba defendendo a sua preferência", compara Pereira.

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9.set.2015 – Tim Cook, diretor-executivo da Apple, apresenta novos iPhones 6S e 6S Plus durante conferência anual da empresa no auditório do Bill Graham Civic, em San Francisco, Califórnia (EUA) Leia mais Stephen Lam/Getty Images/AFP

Apesar das críticas de boa parte da imprensa especializada, das piadinhas costumeiras e até mesmo de uma gafe que levou a uma discussão sobre Photoshop e feminismo, a Apple ainda consegue surpreender e se destacar no mercado de tecnologia.

É o caso do 3D Touch, a nova habilidade dos iPhones 6S e 6S Plus que reconhece a pressão dos dedos do usuário e cria novas formas de interação com o sistema iOS e os aplicativos. Ainda que nesse recurso a Apple tenha sido “furada” pelo celular Mate S, da Huawei por uma questão de dias, os profissionais concordam que a possível qualidade do invento tende a ser mais importante que seu ineditismo.

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“Teve ali um esforço de software para esse 3D Touch ser realmente um diferencial. Smartphone é hardware mais software. Eles [a Huawei] lançaram hardware, mas dependem do Google criar funcionalidades no Android para esse sensor novo”, afirma Luiz Gustavo Lino, desenvolvedor do time de aplicativos para iOS do UOL.

“O 3D Touch trará uma nova forma de navegabilidade, possibilitando encurtar caminhos entre aplicativos nas operações diárias. Para os fãs de jogos, ele vai permitir novas experiências, já que os desenvolvedores poderão explorar e adicionar mais efeitos e comandos”, detalha Fábio Pereira, proprietário da consultoria LMLAB, especializada em produtos Apple para o setor corporativo.

Inovação em xeque

“Eu diria que está claro que a Apple hoje olha para os vizinhos. Durante um tempo, a Apple foi a referência, todo mundo a copiava e eles estavam na vanguarda. Hoje vemos nos novos aparelhos os reflexos da concorrência, agradando usuários à sua própria maneira. Isso, aparentemente, preocupa a Apple, que começou a correr atrás”, analisa Lino.

Para Pereira, existem muitos produtos da Apple que estão longe de utilizar os componentes mais avançados, porém o uso prático é o que fica. “Para que um telefone com uma câmera de 16 megapixels ou até mais para uma pessoa que quer simplesmente registrar momentos com a família ou em viagens? Defendo que nem sempre o mais moderno é o melhor, tudo depende de quem vai utilizar e para quê”.

Já as críticas e piadas contra a Apple fazem parte do “clima” do setor tecnológico. “É como futebol, cada um tem um time e acaba defendendo a sua preferência”, compara Pereira.

Lino, admite, porém, que foi “estranho” ver um lançamento de uma caneta para o iPad Pro. “Steve Jobs falou muito mal desse tipo de tecnologia quando apresentou o primeiro iPhone com touchscreen”, relembrou. A inusitada parceria com a antiga rival Microsoft, por outro lado, foi definida pelo desenvolvedor como “sensacional”.

Pereira concorda. “A grande surpresa desse evento sem dúvida foi a presença da Microsoft e Adobe. Isso mostra aos consumidores algo que no mercado corporativo já estamos acostumados há algum tempo: uma ‘integração’ entre marcas, plataformas e tecnologias”, aponta.

TV é o futuro?

Os dois especialistas também tiveram uma impressão bastante positiva da nova Apple TV, que acabou sendo ofuscada pelo iPad Pro e pelos novos iPhones.

“Além de trazer uma grande inovação do ponto de vista de hardware, com o novo chip A8 de 64-bits, amplia a nossa concepção como usuários de entretenimento, indo muito além do ‘assistir televisão’. Em conjunto com o tvOS, a nova AppleTV abre uma extensa lista de possibilidades, como por exemplo o aplicativo da Major League Baseball, que permite assistir jogos ao vivo e ao mesmo tempo ter informações de resultados de outros jogos ou assistir a dois jogos simultâneos”, diz Fábio Pereira.

“É curioso também que a interface da Apple TV nova é bem na linha do Material Design do Google. Mas nesse ano notei um comportamento diferenciado em relação à gestão da linha de produtos. No caso da Apple TV, anunciaram uma nova, mas nenhum plano de redução de preços ou atualização de software para a antiga”, critica Luiz Gustavo Lino.

O especialista do UOL também lamenta que as novidades acabaram chegando em cima da hora para quem faz os aplicativos. “O sensor de 3D Touch, por exemplo, nem é citado nos pacotes beta para desenvolvedores. É para manter o sigilo das novidades. Só que aí eles nos jogam uma bomba imensa”, disse.

“Além disso, depois de anunciar um iPhone novo, as pessoas perdem a empolgação para comprar o antigo. Então esse efeito de pessoas esperarem o novo ficar disponível pode congelar as vendas por um tempo. Ai eles tentam encurtar esse tempo entre divulgar o novo aparelho e torná-lo disponível para a compra”, deduz Lino.

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