Rio Branco, Acre,


“Brasil caminha nas pernas de um jabuti”, diz Dina, 73, personalidade popular de Sena

Nos 111 anos da cidade, a aposentada Galdina Teles de Matos se declara triste por ver centenas de jovens envolvidos com drogas e bebidas alcoólicas

galdina
Dina continua atenta aos acontecimentos, mesmo acometida de uma enfermidade pulmonar/Foto: ContilNet

Há cerca de 30 anos, quando não existia telefone celular e nem internet, as informações demoravam a chegar em municípios como Sena Madureira, que ficava isolado do resto do Brasil e do Mundo quando a BR 364 era fechada por até seis meses devido as fortes chuvas do inverno amazônico.

As notícias que chegavam em Sena eram através de rádios como a Difusora Acreana e a Nacional de Brasília. Na época, a Rede Globo também estava chegando, só que com informações de uma semana antes e capítulos de novelas também já vistos há muitos dias por quem morava em Rio Branco e nos grandes centros do País.

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Mas naquela época a Capital do Iaco tinha personalidades, que estão vivas até hoje, que ajudavam nas informações dos acontecimentos diários da cidade e até de outros municípios do Acre. Um delas, a aposentada Galdina Teles de Matos, de 73 anos, continua morando em seu antigo endereço, localizado na Avenida Brasil, uma das mais movimentadas de Sena Madureira.

Dina, como é popularmente conhecida pela sociedade sena-madureirense, continua atenta aos acontecimentos, mesmo acometida de uma enfermidade pulmonar que vem lhe castigando há quase um ano.

Acamada há vários meses, a mulher mais bem informada de Sena – que é funcionária aposentada pelo Estado – conta com o apoio dos sete filhos, netos e amigos. “Todos os dias vem de cinco a seis pessoas na minha casa. Aqui recebo até a visita do Padre Paolino”, conta orgulhosa à ContilNet.

Mesmo enfrentando uma enfermidade no pulmão, ela, que continua sendo uma das pessoas mais bem informadas do Iaco, garante que é muito feliz. Em entrevista exclusiva à ContilNet fala sobre juventude, drogas,  violência, política, Sena Madureira e até sobre seu antigo banquinho, que ficava em frente à sua casa que e até pouco tempo reunia muitos amigos para bate papo nas noites enluaradas da cidade que, apesar das dificuldades que enfrenta, que para muitos sena-madureirenses continua sendo a “Princesinha do Acre”.

Dina conversa com a jornalista Wania Pinheiro/Foto: ContilNet
Dina conversa com a jornalista Wania Pinheiro/Foto: ContilNet

Leia a entrevista com Dina a seguir:

ContilNet – Você é uma das personalidades mais conhecidas de Sena Madureira, e também uma das mais bem informadas. Aos 73 anos de idade como está a sua vida?

Galdina: Muito feliz. Posso dizer que sou uma mulher feliz porque tenho o amor dos meus filhos, da minha família e o carinho de muitos amigos. Meus filhos cuidam bem de mim, o Marcio, então, me carrega nos braços, faz a minha comida, lava a minha roupa, está sempre ao meu lado.

Hoje você está com problemas de saúde e não pode mais sair de casa. Do que sente saudade?

Sinto muita saudade de ir à Igreja Católica, eu ia todo domingo. Adorava ir à missa. Hoje estou nessa cama, não posso sair de casa, mas não reclamo. Como já disse, sou muito feliz. Dia desse minha nora estava trocando uma falda descartável e eu disse a ela: “Mas essa situação é uma graça, né? E Começamos a rir”.

Você ainda continua antenada aos acontecimentos da cidade?

Muito. Sei de tudo ou quase tudo que se passa aqui. Tenho meus amigos que me trazem as notícias e vejo televisão, escuto rádio, não falta quem me traga as novidades…

E aquele banquinho, que reunia seus amigos todas as noites em frente à sua casa, ainda existe?

Não posso mais sentar com os amigos naquele banco, mas eles vêm aqui no meu quarto, como você está agora, conversam comigo, a gente rir, lembramos as coisas boas do passado e falamos também do presente. Mas aquele banquinho era muito legal, vivia cheio de amigos comentando os acontecimentos da cidade.

E como ver hoje o município de Sena Madureira?
Uma das coisas que me deixa muito triste nos dias de hoje é ver centenas de jovens envolvidos com drogas e bebida alcoólica. Os pais desses jovens são os que mais sofrem. No meu tempo festa, carnaval e até as escolas era só alegria, não tinha essa violência, essas coisas que a gente ver hoje. A violência está grande em nosso município, e isso assusta as pessoas.

Que mensagem mandaria à juventude de Sena Madureira?

Quero dizer a esses jovens que a juventude passa, que eles precisam estudar e aproveitar as coisas boas que a vida oferece. Precisamos, no futuro, de pessoas que ocupem o lugar do Padre Paolino, dos professores e médicos que hoje atuam nas escolas e nos hospitais, dos comerciantes, carpinteiros, pedreiros, enfim de profissionais que possam, futuramente, trabalhar em diversos setores do nosso município. Gostaria de ver esses jovens que hoje estão envolvidos em coisas ruins, todos estudando e fazendo seus pais felizes. A gente ver uns meninos bonitos, filhos de famílias, deixam os pais chorando enquanto eles vão para dentro de uma cadeia.

Dina, como você analisa o governo da presidente Dilma Rousseff?

Péssimo. O Brasil está caminhando nas pernas de um jabuti. Os nossos governantes não querem ser sinceros e honestos. Só basta isso para que o nosso País volte a ser grande, próspero e para que os brasileiros voltem a sorrir. Os políticos de hoje se parecem muito com um macaco, pulam de galho em galho, vão pra onde acreditam que tem mais dinheiro, mais poder. Acho a Dilma péssima, mas gosto do Tião Viana. Ele não faz o governo que o Jorge Viana fez, mas também não acho um dos piores. O Tião tem uma grande culpa: aceita muitos puxa sacos que não fazem nada por ele. O PT perdeu em Sena porque tinha um magote de cobras, sem lideranças falando em nome do Jorge e do Tião. O povo não gosto desse pessoal dele (Tião).

Tem uma mensagem para deixar aos amigos?

Sim, que sou muito feliz. Que agradeço a Deus pela família e pelos amigos que Ele me deu.

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