Rio Branco, Acre,


Livro “Xapuri: fragmentos de memórias” expõe crise da cidade mais famosa do Acre

Dividido em cinco capítulos, obra começa com narrativas sobre indígenas, a “invenção” do Acre e revisita o mito “Princesa do Acre”

livroOs professores da Universidade Federal do Acre (Ufac), Carlos Estevão Ferreira Castelo (curso de Economia) e Sérgio Roberto Gomes de Souza (História), lançaram recentemente o livro “Xapuri: fragmentos de memórias”. Produção independente, a obra tem o objetivo de dialogar com “fragmentos de memórias” de atores sociais que viveram ou vivem em Xapuri. “O que motivou a produção do livro foi o descaso com os espaços de memória, a destruição de acervos históricos e a historiografia oficial”, explica Castelo.

A parceria entre o economista e o historiador, ambos nascidos em Xapuri e amigos de infância, começou com uma declaração (leia) dada por dona Carmen Veloso, então com 90 anos, conhecida quituteira da cidade, ao jornalista Altino Machado em 11 de junho de 2011, que dizia: “Xapuri está uma merda. Meu único cliente é o João Soares. Ele paga R$ 200,00 pelo café e almoço, metade a cada quinze dias, para que eu tenha condições de garantir a comida na mesa.”

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Dona Carmen faleceu em março de 2014, aos 93 anos. Segundo os autores, a obra constitui-se, de certa maneira, em uma continuidade dos debates realizados a partir das declarações da dona Carmem Veloso.

Castelo lembra que esta foi a primeira vez que escreveu um livro em parceria com outro professor. “Aprendi muito com os textos do Sérgio [Souza], acredito que ele também aprendeu muito”, afirmou Castelo. “Foi muito interessante”, pontuou.

O livro é dividido em cinco capítulos. Começa com narrativas sobre as populações indígenas e a “invenção” do Acre. Faz uma revisita ao mito “Princesa do Acre”, e aborda os diferentes povos, entre turcos e seus comércios, portugueses e italianos que viveram na cidade. Trata da chegada dos “paulistas”, bem como do surgimento do movimento de resistência por parte dos seringueiros. Tem um capítulo dedicado à vida e morte de Chico Mendes, o líder seringueiro que ajudou a transformar Xapuri em um símbolo do “ambientalismo”. No último capítulo os autores tratam da “florestania”.

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Declaração de dona Carmen inspirou autores

O professor Carlos Estevão Ferreira Castelo se mostra otimista com a aceitação da obra pelo público. Principalmente entre os naturais de Xapuri. “Começamos a pré-venda pelas redes sociais. Tivemos uma grande procura, principalmente do povo de Xapuri que é o principal interessado. Acredito que a primeira edição será esgotada rapidamente e teremos que encomendar uma segunda e uma terceira edição”, disse Castelo.

A obra foi editada por Eduardo de Araújo Carneiro, revisado por Eurilinda Figueiredo e a capa foi produzida pelo professor Hélio Moreira da Costa Júnior, a partir de uma foto do Bazar Paranese, de propriedade da Família Koury, nos anos 1920. O livro está sendo vendido por R$ 30 e pode ser adquirido pelo e-mail [email protected] O público de Xapuri pode adquirir o livro na Casa Castelo, na Rua 6 de agosto.

Os autores

Carlos Estevão Ferreira Castelo nasceu em Xapuri (AC), onde iniciou sua formação escolar no Colégio Divina Providência. É bacharel em Economia pela Universidade Federal do Acre (Ufac), onde atua como professor efetivo desde 1992. Obteve o seu título de mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1999 e o de doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (Usp) em 2014.

Sérgio Roberto Gomes de Souza nasceu em Xapuri (AC), onde iniciou sua formação escolar no Colégio Divina Providência. É graduado em História pela Universidade Federal do Acre (Ufac), onde atua como professor desde 2002. Neste mesmo ano obteve o título de Mestre em História pela Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). Em 2014, concluiu o seu Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (Usp).

Com informações da Ufac

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