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“Eles me mandaram para a morte”, diz mulher que aguarda cirurgia no HC para retirada de tumor

Por Jorge Natal, da Contilnet

hospital

Paciente aguarda cirurgia no Hospital das Clínicas

Depois de ser diagnosticada com nódulo na tireoide, a agricultora Raimunda Silva de Souza, 41 anos, moradora da Comunidade Vitória, no município de Porto Walter, passou a viver um drama. Em Rio Branco desde novembro do ano passado, ela foi orientada a voltar para casa na manhã da última sexta-feira (29), o que findou acontecendo sem a definição da data da cirurgia.  “Eles me mandaram para a morte. Tem gente nessa fila de cirurgias desde 2009”, disse a mulher, que estava desesperada.

Morando distante da sede do município cerca de duas horas de barco, os moradores da Comunidade Vitória se mobilizaram para ajudar a agricultora. “Agradeço a todos, inclusive o prefeito que deu as passagens”, disse Raimunda, informando que, em agosto de 2015, uma ultrassonografia detectou o tumor. “Fui encaminhada para Cruzeiro do Sul e depois, pelo TDD, para Rio Branco”.

A agricultora disse que foi encaminhada com um pedido de urgência pela médica Aline Cameli.  “A assistente social me mandou ir pra casa e esperar. Claro que quero ir, mas sinto muita dor na garganta e não consigo dormir. Tenho medo de morrer e estou querendo que alguém, pelo amor de Deus, ajude-me a marcar o dia da cirurgia”, disse a paciente, que sequer exige que o procedimento cirúrgico seja imediato.

A reportagem acompanhou o caso da agricultora no Hospital das Clínicas (HC) e na sede da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). A assessora de imprensa da Sesacre disse que ela veio sem o acompanhamento do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), o que dificultou o encaminhamento para uma posterior cirurgia. “Infelizmente ela veio por conta própria, mas estamos fazendo o possível para resolvermos o problema, explicou a assessora de imprensa.

Veja a nota da Sesacre na íntegra:

Nota de esclarecimento

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) esclarece que a paciente Raimunda Silva de Souza deu entrada no Tratamento Fora de Domicílio (TFD) em outubro de 2015, em Cruzeiro do Sul. Contudo, não esperou os tramites do processo de translado e, por conta própria, deslocou-se para Rio Branco.

No dia 1º de dezembro de 2015, Raimunda foi atendida pelo endocrinologista no Hospital das Clínicas (HC) de Rio Branco (consulta já estava agendada pela Central Estadual de Regulação). O médico a encaminhou para um especialista em cabeça e pescoço para investigação do problema de saúde.

No dia 21 de janeiro de 2016 a paciente foi atendida e a médica solicitou exames para auxiliar no diagnóstico. Sem dar entrada no processo de agendamento de consultas, Raimunda retornou ao HC no dia 28 de janeiro, por conta própria, para aguardar uma “sobra de ficha” [que são as consultas destinadas a pacientes sem agendamento prévio].

A paciente foi atendida e, conforme os resultados dos exames, foi diagnosticada uma tireoidectomia parcial com indicação de cirurgia. No dia 28 de janeiro, Raimunda se cadastrou na Central de Agendamento de Cirurgia (CAC), no HC de Rio Branco, iniciando assim, regulamente, o processo para a cirurgia.

Na sexta-feira, 29, Raimunda Silva foi acolhida por uma equipe de profissionais do Serviço Social, da Central de Regulação Estadual e da Ouvidoria da Sesacre para apurar se houve falha em seu atendimento.

A Sesacre destaca que é de suma importância que os pacientes que necessitam de cirurgias ou quaisquer outros tratamentos, busquem as unidades de saúde para dar entrada, de maneira adequada, nos tramites necessários ao processo, evitando assim, transtornos.

Rio Branco – Acre, 1º de fevereiro de 2016

Assessoria de Comunicação/Sesacre

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