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Em disco de inéditas, João Donato revisita seus grandes álbuns

Por Globo

João Donato em foto de 2014 - Fabio Seixo

João Donato em foto de 2014 – Fabio Seixo

Muito se falou nos últimos dias do vigor de Mick Jagger, aos 72 anos, exibido no palco do Maracanã. Justo. Aos 81 anos, João Donato deve olhar para o vocalista dos Rolling Stones e pensar que o menino está no caminho certo para chegar jovial à maturidade. Em “Donato elétrico” (Selo Sesc), o pianista soa como um moleque — com todas as manhas e sabedorias trazidas pela idade levadas sem empolação de “mestre” — em meio aos moleques que o cercam (como os músicos do Bixiga 70 e outros que costumam acompanhar nomes como Céu, Curumin, Tulipa Ruiz e Metá Metá).

Com sonoridade (como explicita o título) elétrica, de Fender Rhodes, Farfisa, Clavinet, Pro-One e Moog, ele apresenta seu primeiro disco de inéditas em 14 anos. Um álbum de hoje, grande como “Muito à vontade” e “A bad Donato” — aliás, aproximando a intenção timbrística do primeiro com a maciez do segundo. Um álbum que Daft Punk e Kendrick Lamar ouviriam com um sorriso no rosto.

Produzido por Ronaldo Evangelista, o álbum já começa com a carta de apresentação “Here’s JD”, que deixa claro que (discípulos à parte) o que há de mais moderno ali é o próprio Donato. Nadando de costas na piscina de sintetizadores, órgãos e pianos elétricos de que dispõe, ele emula cuíca (“Urbano”) e o groove vagaroso de uma tartaruga (“Tartaruga”) — a certa altura solando freneticamente sobre o passo lento do bicho, numa velocidade/calma que poderia sintetizar o álbum.

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