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Jamyl Asfury é acusado de saber do esquema de fraude em casas populares do governo do Acre

Por Wiliandro Derze, da Contilnet

rossandra

Servidora da Sehab, Rossandra Lima/Foto: Arquivo Pessoal

A reportagem da ContilNet teve acesso a um áudio onde um denunciante afirma que pagou R$ 30 mil por uma residência popular do Programa Minha Casa Minha Vida, que deveria ser entregue às vítimas da enchente em Rio Branco pelos governos estadual e federal, em parceria com a Prefeitura de Rio Branco.

O homem acusa o secretário de Estado de Habitação (Sehab), Jamyl Asfury, e uma mulher de nome Rossandra Lima Melo de saberem de todo o esquema de venda de casas populares, divulgado nesta segunda-feira (1) pela ContilNet. O esquema foi batizado como “Operação Lares”.

O denunciante disse ter pago R$ 15 mil em espécie, nas mãos Rossandra, e que teria depositado mais R$ 15 mil na conta de Maria Auxiliadora, que seria mãe de Rosandra Lima de Melo, pela aquisição da casa popular. De acordo com o denunciante, ele pediu a devolução do pagamento já que não recebeu a moradia, mas afirma que não obteve o ressarcimento.

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Durante a gravação, o denunciante, que não quis se identificar neste primeiro momento, pelo processo estar em segredo de Justiça, destacou ainda que procurou o secretário de Habitação, Jamyl Asfury, mas ao se identificar foi informado que ele estaria viajando.

“Fui na Sehab falar com o Jamyl Asfury. Quando cheguei lá uma moça veio me atender, perguntou meu nome e entrou em uma sala. Momentos depois ela voltou e disse que o Jamyl estava viajando. Mas ele estava lá e não me atendeu porque sabe meu nome, quem sou eu. Ele sabe de tudo sobre esses esquemas das casas populares. Nesta hora bateu o desespero e sai de lá ameaçando ir ao Ministério Público, disse que ia quebrar tudo. Eu estava desesperado porque tinha perdido 30 mil reais”, conta o informante.

Ouça o áudio com a denúncia:

Ao deixar o prédio da secretaria, bastante revoltado, o denunciante conta que outra servidora da Sehab o abordou e pediu seu nome e número de telefone. Ao ameaçar que se não falasse com o Jamyl iria denunciaria o caso ao Ministério Público Estadual, ela teria tentado convencê-lo a não denunciar o esquema, e também lhe fez ameaças.

“A servidora que me abordou quando eu estava saindo do prédio da Sehab, disse que eu não poderia fazer nada, pois eu também seria preso por ter pago R$ 30 mil. Falei que iria denunciar tudo ao Ministério Público, pois fiquei no prejuízo depois de ter feito o pagamento, e só depois disso, saber que o esquema era errado”, explica o denunciante.

Denunciante afirma que Jamyl sabia do esquema de corrupção dentro da Sehab/Foto: Secom

A ContilNet teve acesso também a outras denúncias graves sobre o esquema de distribuição de casas em vários conjuntos habitacionais do Acre, que estará sendo divulgando durante toda esta semana. As informações divulgadas até agora pela imprensa acreana são apenas a ponta do “iciberg”.

Durante toda a manhã desta terça-feira (2) a ContilNet tentou falar com o secretário Jamyl Asfury através do telefone 99xxxx90 e 99xxxx74, mas não conseguiu resposta. A secretária de Comunicação do Governo do Estado, Andrea Zílio, disse a reportagem que quem fez a denúncia foi a Secretaria de Habitação e Interesse Social (Sehab), e que tão logo o governador  Tião Viana tomou conhecimento do fato, acionou a Polícia Civil para investigar o caso.

 

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