
Jamyl ao lado do servidor do Estado, Josimar Oliveira/Foto: Arquivo pessoal
O secretário de Habitação Jamyl Asfury voltou a ser alvo de mais uma denúncia. Desta vez, está sendo acusado de distribuir casas populares para cabos eleitorais. Os beneficiados foram Vera Lúcia Costa Pinheiro, esposa de Josimar Oliveira, que trabalha diretamente com o secretário, e o jogador de futebol por nome de Melquisedeque Brito, também conhecido como Kim, que teria registrado o imóvel do programa Minha Casa, Minha Vida no nome da esposa, Suelia Frabrício de Lima.
Mesmo sem terem o perfil requerido pelo programa federal, ou muito menos possuírem cadastros na Secretaria de Habitação e Interesse Social (Sehab), os “contemplados” receberam casas no conjunto habitacional Ruy Lino II. “Esse dois felizardos fizeram campanha para o Jamyl Asfury e irão fazer para alguém do grupo dele, que será lançado candidato a vereador nas eleições desde ano”, afirma a denunciante, que é funcionária pública e não quis se identificar com medo de represálias.
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O mais interessante nessa irregularidade, ainda segundo a fonte, foi o fato de o secretário ter esbravejado que denunciou o esquema à Polícia Civil. Se de fato fez alguma denúncia, omitiu os casos forjados por ele próprio. “Esse homem é uma fraude, um criminoso, uma vergonha para a instituição de que ele é membro, a Polícia Federal”, disparou a fonte, para quem Asfury, além de ser exonerado do cargo de secretário, deveria ser preso.

Reportagem registrou imagem da casa que teria sido entregue ao funcionário do Estado/Foto: ContilNet
Os lotes em questão, localizados na quadra 17, casa 01, e quadra 20, casa 18, estão em esquinas, o que, segundo o denunciante, caracteriza mais beneficiamentos. “Isso é um absurdo. Enquanto famílias estão morando de aluguel social, sendo constantemente despejadas por falta de pagamentos, esse político inescrupuloso usurpa recursos públicos em seu próprio benefício”, detonou.
Em contato com a reportagem por telefone, Jamyl Asfury negou qualquer participação na escolha de nomes, limitando em dizer que os contemplados passam por levantamento social feito na Prefeitura de Rio Branco, através do CadÚnico, para depois chegarem à Sehab.
“Depois desse trâmite e estabelecimentos de critérios, a gente analisa e encaminha para Caixa”, afirmou o secretário, reiterando que não participa de nenhum etapa dos processos. “Já existiam cadastro muito antes de eu assumir a secretaria”.
O servidor público Josimar Oliveira negou ter sido beneficiado e disse que não queria falar sobre o assunto. A reportagem não conseguiu fazer contato com Melquisedeque.

