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25 julho, 2021 5:25 am

Estudantes de Cruzeiro afirmam que valor do passe escolar é responsável por evasões no ensino superior

POR Jorge Natal, da Contilnet

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Estudante de Pedagogia, Jacson Queiroz

Acadêmicos da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto Técnico Federal do Acre (Ifac) de Cruzeiro do Sul reivindicam a redução do valor do passe escolar. Segundo eles, a passagem, considerada uma das mais caras do país, é a principal causa da evasão nas instituições. “As desistências, em torno de 25%, estão relacionadas ao preço de R$ 4 diários”, afirmou o estudante de Pedagogia, Jacson Queiroz.

Os estudantes já fizeram diversas audiências públicas na Câmara de Vereadores, manifestações na prefeitura e chegaram até a fazer bloqueio da rodovia que dá acesso às instituições. Queiroz disse que o problema caiu no esquecimento da prefeitura e da Câmara Municipal, que foi a instituição mais provocada para fazer a mediação do problema junto ao prefeito Vagner Sales (PMDB).

“Não podemos admitir que, grande parte das desistências de centenas de acadêmicos, aconteça pela falta de condições de garantir a ida para a sala de aula, pois nem todos têm R$ 2 para ir e mais R$ 2 para voltar todo dia. Creio que, em nenhuma outra cidade do país, um estudante tenha um passe estudantil tão caro como em Cruzeiro do Sul”, disse Queiroz, cobrando a regulamentação do transporte coletivo em Cruzeiro do Sul.

O estudante de Inglês, José Francisco Nunes, diz que sente mal ao ver colegas desistirem dos seus sonhos, porque o pai não tem condições de garantir o pagamento daquilo que seria direito básico do estudante, que é ir e vir da universidade. “Sinto-me envergonhado de ter um prefeito tão descompromissado com aqueles que serão os profissionais que cuidarão do futuro desta cidade”, lamenta ele, ameaçando mobilizar os estudantes.

A reportagem procurou o chefe de Gabinete Civil da prefeitura, Mário Neto, que confirmou a não regulamentação do serviço. “Estamos diante de uma questão altamente complexa, uma vez que estamos em uma das regiões mais isolada do país, onde o preço dos combustíveis e demais insumos são caros, o que acaba não atraindo o interesse dos empresários do setor”, explicou ele.

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Campus da Ufac em Cruzeiro do Sul

Bolsas minimizam problema

O programa “Passe Livre” da Ufac Campus Floresta, que diretamente beneficiaria 1,2 mil estudantes no Vale do Juruá, não pode ser efetivado porque o sistema de transporte não está regulamentado. O subsídio é financiado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O subprefeito, Antônio Artheson, no entanto, afirma que a instituição concede inúmeras bolsas estudantis, inclusive aquelas destinadas ao transporte intermunicipal e local. “Para quem vem dos municípios e vilas distantes, oferecemos R$ 100 e pagamos R$ 60 para os que moram na cidade”, informou o subprefeito, que não dispôs de dados estáticos para confirmar as evasões alegadas pelos estudantes.

A assistente social do Ifac, Antonieta Falção, por sua vez, afirmou que a instituição perde anualmente 25% de seus estudantes. Segundo ela, uma das principais causas das desistências é o preço dos transportes coletivo. “Fizemos um levantamento e, infelizmente, constatamos isso”, afirmou ela, acrescentando outra causa que é o estudo em tempo integral.

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Cidade de Cruzeiro do Sul

O único empresário que faz o transporte para as duas instituições, Ademar Colombo, segundo os estudantes, é um “guerreio”, pois, mesmo sem uma linha regular, coloca seus ônibus nos três turnos para atender a comunidade acadêmica.

Ação no MPF

Outra reclamação dos estudantes são a falta de horários regulares para circulação dos coletivos e a superlotação nos horários de pico. O diretor da União Nacional dos Estudantes no Acre (UNE), Jeffrey Caetano, prometeu levar o problema ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF). ”Como podemos encarar com naturalidade um jovem desistir do sonho de concluir o curso superior na universidade pública?”, questionou.

Para o líder estudantil, a prefeitura precisa resolver o grave problema. “Por isso estamos elaborando uma denúncia para protocolarmos no MPF. Não podemos continuar com um problema que já deu prejuízos irreparáveis aos jovens cruzeirenses. Caso haja demora ou não aja resolução, vamos montar um grande acampamento dentro da Câmara Municipal, ou da própria prefeitura, para chamar a atenção das autoridades, ressalta Jeffrey Caetano.

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