Vídeo de mãe protestando por falta de médico na UPA do 2º Distrito causa polêmica nas redes sociais

Um vídeo gravado no final da tarde desta quarta-feira (9) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito tem provocado polêmica nas redes sociais. A comerciante Mony Isabelle, que foi à unidade hospitalar em busca de atendimento para o filho, aparece nas imagens protestando pela falta de médico.

No vídeo, de cerca de dois minutos, a comerciante questiona a falta de profissionais e o precário atendimento na UPA.

“O que é isso, como pode um médico ver todas essas pessoas em busca de atendimento e ir para o repouso? Gente, isso é um absurdo, vocês médicos fazem um juramento, esse juramento é de salvar vidas e de ter o paciente em primeiro lugar. Olhem aqui o tanto de mães com seus filhos esperando pelo atendimento”, diz Mony Isabelle no vídeo.

A reportagem entrou em contato com a comerciante que confirmou ser ela nas imagens. Mony Isabelle disse ainda que chegou à UPA por volta de 10h30 de quarta em busca de atendimento para o seu filho. Uma hora depois passou pela classificação de risco. Passava das 15h e a comerciante ainda aguardava ser chamada para o atendimento médico.

“O que acontece na UPA e em outras unidades médicas é um absurdo. Cheguei lá com meu filho por volta de 10h30 e fui logo fazer uma ficha. Só fui chamada para a classificação de risco uma hora depois, dai fiquei esperando. Era por volta das 15h e ainda não havia sido atendida, mas o problema maior era a quantidade de mães esperando pelo atendimento aos seus filhos, alguns dos casos mais graves do que o caso do meu filho. Tinha uma senhora que estava desde as 7h da manhã com uma criança de colo e ainda não havia recebido atendimento. O que mais me revoltou foi saber que, enquanto esperávamos, o médico estava no repouso, por isso que fiz aquele protesto”, comenta Isabelle.

A comerciante revelou também que passava das 17h quando deixou o hospital sem conseguir consultar seu filho. Ela, o esposo e a criança retornaram à Unidade de Pronto Atendimento no inicio da madrugada desta quinta-feira (10). O filho foi consultado por um clínico-geral e realizou exames. Na manhã de hoje, Mony Isabelle procurou o hospital para apresentar o resultado dos exames e foi orientada a fazer uma outra ficha de atendimento e aguardar para apresentar os exames. A mãe desistiu e comentou que pagará uma consulta médica somente para ver qual o resultado nos exames.

“Voltei na madrugada, não fomos atendidos por um pediatra, mas sim por um clínico-geral, que pediu uma série dos exames, na manhã de hoje fui buscar o resultado dos exames e me informaram que eu teria que fazer uma outra ficha e aguardar atendimento. Desisti de esperar e vou pagar uma consulta para mostrar o resultado. O que me revolta é que o governador durante sua campanha disse que haveria mais de 400 médicos contratados pelo Estado para atender nas UPA’s”, relembra ela uma das principais promessas eleitorais de Tião Viana, em 2014, para obter a reeleição.

Esta não é a primeira vez que pacientes denunciam falta de médicos na UPA

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A comerciante disse que ficou surpresa com a repercussão que o vídeo tomou nas redes sociais; Mony Isabelle disse, ainda, que foi procurada por dezenas de mães de crianças que buscam diariamente atendimento nos hospitais da capital e que também, revoltadas com a situação da Saúde acreana, estudam a criação de um grupo para reivindicar melhorias. Isabelle disse ainda que o Acre vive uma “ditadura branca”, e o povo tem que se mobilizar para cobrar melhorias no Estado.

“A saúde está um caos, o descaso é total, mas tá na hora do povo levantar a cabeça e exigir seus direitos. O governador durante a sua campanha para a reeleição prometeu mais de 400 médicos nas UPAs mas o que acontece é a falta de médicos. Precisamos protestar, cobrar, reivindicar e dar a resposta necessária para o governador e para o partido que está há tantos anos no poder e que trata o povo com descaso. O PT, o governo do PT, implantou uma ‘ditadura branca’ no Acre, mas isso vai acabar, pois eu vou fazer a minha parte, vou buscar os meus direitos, vou protestar e pelas manifestações que vi nas redes sociais, sei que não estarei sozinha”, desabafa a comerciante.

Uma fonte ligada ao corpo de enfermagem da UPA do Segundo Distrito informou à reportagem que desde a última quinta-feira, 3 de março, a unidade estava sem médico na ala de Trauma, sendo que dois dos plantonistas estão de férias e não foi providenciado profissionais para substitui-los; apenas um clínico-geral está trabalhando em regime de plantão para o atendimento de toda a UPA.

A fonte disse, ainda, que o médico acusado de erro, onde uma criança morreu na UPA do 2º Distrito, não está indo trabalhar por medo de represálias por parte dos familiares.

Outro ponto denunciado pela fonte é o surgimento de cobras e ratos nas dependências do hospital. Todos os casos foram informados pela direção da unidade e à Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas até o momento nenhuma providencia foi adotada.

Versão da Sesacre

“De acordo com a direção da UPA, o atendimento está ocorrendo normalmente. Os pacientes classificados com fichas amarelas e vermelhas são prioridades. Nesta quinta-feira, 10, no plantão da unidade há dois clínicos gerais atendendo adultos, dois pediatras um médico na emergência e outro médico fazendo a visita aos pacientes que estão internados na unidade”, diz nota divulgada pela assessoria da Secretaria de Saúde.

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