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Febre reumática: entenda o que é e saiba como evitar

Por Crescer

Febre reumática acomete articulações (Foto: Thinkstock)

Febre reumática acomete articulações (Foto: Thinkstock)

No que consiste a febre reumática?

É uma reação autoimune a uma infecção de garganta específica, causada por uma bactéria chamada estreptococo, que é caracterizada por febre, dor, aumento dos gânglios do pescoço e vermelhidão intensa ou placas de pus na garganta. A febre reumática pode acometer as articulações, o coração, a pele e o cérebro.

Quem é mais predisposto a apresentar a complicação?

Crianças na faixa etária entre 5 e 15 anos são as principais afetadas, mas a complicação só se desenvolve naquelas com predisposição genética, que correspondem a aproximadamente 3% dos infectados pelo estreptococo. Infelizmente, é impossível saber se o seu filho se encaixa nesse grupo. Por isso, o tratamento correto de toda infecção de garganta é essencial para prevenir esse desdobramento.

Como evitar que a dor de garganta progrida para a febre reumática? 

As infecções bacterianas, quando tratadas de forma apropriada, não desencadeiam o processo imunológico por trás do problema. Mas, para isso, é fundamental seguir à risca o tratamento com antibiótico prescrito pelo médico, respeitando a duração e os intervalos estipulados. Jamais medique seu filho com anti-inflamatório sem orientação do especialista, porque a substância pode mascarar os sintomas, atrasando o uso do medicamento adequado.

Quando ela pode aparecer?

Ela geralmente se manifesta de duas a três semanas após uma infecção de garganta por estreptococo, em pacientes com pre disposição genética e em que o quadro original não foi adequadamente tratado.

Amidalites de repetição representam maior risco? 

Não. Alguns pacientes têm várias amidalites ao longo da vida, mas, se não forem geneticamente vulneráveis, não terão febre reumática.

Como a febre reumática se manifesta? 

Principalmente como artrite (inflamação das articulações), que ocorre em cerca de 70% dos casos. Mas também pode afetar o coração (40% a 50%), o sistema nervoso (30%) e, em casos raros, a pele (2% a 3%).

Quais são os principais sintomas?

A artrite, reconhecida por inchaço e dor nas juntas, é a principal manifestação e ataca principalmente joelhos, tornozelos, cotovelos e punhos. Ela dura poucos dias e melhora rapidamente após o uso de anti-inflamatórios comuns. Metade das crianças têm  comprometimento cardíaco, cujos sintomas são taquicardia e dor torácica e, muitas vezes, só é identificado no exame físico, quando se detecta um ruído conhecido como sopro cardíaco.

Nesse caso, há inflamação das válvulas do coração, que costuma ser leve e regredir em algumas semanas. No entanto, alguns pacientes desenvolvem a forma grave, com falha permanente das válvulas e necessidade de cirurgia cardíaca para substituí-las. Há ainda a coreia, que ocorre em 1/3 dos pacientes e é caracterizada por movimentos involuntários e abruptos dos membros. No início, a criança pode apresentar fraqueza muscular e instabilidade emocional. Por fim, podem surgir, na pele, manchas vermelhas ou nódulos subcutâneos, que desaparecem espontaneamente. Todos esses sintomas são passíveis de tratamento com medicações específicas e não costumam deixar sequelas.

Como é feito o diagnóstico?

Ele é feito por meio da identificação de sinais clínicos, com base nas queixas da criança, e de alguns exames de laboratório, como velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C- reativa (PCR) e alfa-1-glicoproteína. Há também um teste específico que identifica um anticorpo responsável por combater o estreptococo. Ele é conhecido como Aslo e está presente em 80% das crianças com infecção de garganta causada pela bactéria. Mas vale lembrar que só a minoria delas, de fato, vai apresentar febre reumática.

Como é o tratamento em curto prazo?

Ele depende do órgão acometido: se ocorrer artrite, deve-se usar anti-inflamatórios; se o coração for prejudicado, faz-se uso de corticoides; quando há coreia, são prescritas medicações controladas que agem no sistema nervoso central. Mas, uma vez descoberta a vulnerabilidade, o mais importante é fazer um tratamento preventivo de longo prazo, com injeções de penicilina a cada 21 dias, para evitar novas infecções pelo estreptococo – e, consequentemente, novas crises de febre reumática. O período de tratamento varia de acordo com o órgão acometido e com a gravidade do dano, e pode se prolongar até os 21 anos de idade (no mínimo) ou pela vida toda.

Quais são os cuidados gerais com a criança que apresenta o problema?

A principal precaução é o acompanhamento regular para avaliar se a prevenção de novas infecções está sendo realizada corretamente. Se a febre reumática tiver acometido o coração, os pais devem perguntar ao médico responsável pelo tratamento quais os cuidados necessários, de acordo como quadro do seu filho.

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