
O barulho da tosse chega a dar arrepio em quem tem filho pequeno, já que levanta suspeita de doenças, além de tirar o sono das crianças (e da família toda) por noites a fio. A boa notícia é que a tosse, considerada um mecanismo de proteção do organismo, costuma ser benigna na maior parte das vezes. Saiba quais são os tipos existentes e como contorná-los
É um mecanismo de defesa. Promovida pelo sistema respiratório, ajuda a eliminar secreções ou
corpos estranhos presentes no organismo. Quando a criança aspira poeira, por exemplo, a mucosa das vias aéreas produz um bom volume de secreção para expulsar tais agressores, expelidos pela tosse.
As infecções respiratórias virais, a exemplo dos resfriados comuns, são as causas mais frequentes (prepare-se, pois é normal as crianças terem de seis a nove episódios por ano). Em segundo lugar, estão as alergias respiratórias, como rinite alérgica e asma. Menos comuns, mas não pouco importantes, as gripes, a pneumonia, a bronquiolite – infecção viral nos bronquíolos –, a coqueluche e a sinusite figuram na terceira posição dos gatilhos mais frequentes.
Os resfriados aparecem com mais intensidade no primeiro ano de vida, bem como a bronquiolite, pois, nesse período, os bebês ainda não têm o sistema imunológico totalmente desenvolvido. Já as alergias respiratórias costumam aparecer a partir dos 12 meses – os sintomas dificilmente se manifestam antes disso. A sinusite, por sua vez, tende a incomodar meninos e meninas com mais de 6 anos. Problemas mais graves, como as infecções bacterianas (a exemplo da tuberculose e da coqueluche), podem surgir a qualquer momento. Para preveni-las, é essencial vacinar as crianças, já que se trata de doenças altamente contagiosas. De acordo com o calendário do Ministério da Saúde, bebês de 2 meses devem tomar a primeira dose da vacina pentavalente (DTP) – contra difteria, coqueluche, tétano, haemophilus influenzae do tipo B e hepatite B. A segunda dose é aplicada aos 4 meses e a terceira, aos 6 (os reforços começam a ser administrados a partir dos 15 meses). Conhecida popularmente como “vacina da marquinha”, a proteção contra a tuberculose é chamada de BCG e geralmente é dada ainda na maternidade em dose única.
Episódios curtos e isolados não exigem assistência médica. Quando a tosse vier acompanhada de outros sintomas, como febre alta, vômito, falta de ar, mal-estar, chiado no peito e falta de apetite, é essencial levar a criança ao pediatra para uma investigação. Essas manifestações podem significar que o quadro infeccioso evoluiu para as vias aéreas inferiores, que são os pulmões e os brônquios.
Sim. Até 14 dias, a tosse é considerada comum, principalmente se for sintoma de um resfriado. Depois desse período, é preciso investigar a causa do problema com cautela, uma vez que pode indicar algo mais grave (como asma, sinusite ou coqueluche).
É importante avaliar o som emitido durante os acessos. A tosse seca, por exemplo, é caracterizada pela ausência de catarro e indica quadros alérgicos. Quando há muco, decorrente de gripes, resfriados e sinusites, é conhecida como tosse produtiva. Nesse caso, a secreção existente se movimenta e é eliminada pelo organismo. Daí a importância de não bloquear a tosse, responsável pela expulsão do catarro.
Dá para atenuar o incômodo com algumas ações simples e caseiras. A hidratação é uma boa saída, pois umedece o muco (que é expulso do organismo com mais facilidade). Ofereça água, sopas, chás variados e sucos à criança. Dar uma colher de mel antes de dormir também é uma boa pedida. O ingrediente tem ação antimicrobiana, que garante proteção a algumas doenças. Mas os pequenos só devem consumir o alimento depois de 1 ano de idade. O motivo? Em casos raros, o mel pode provocar uma intoxicação alimentar grave, conhecida como botulismo.
Por ser um processo natural de defesa, muitos especialistas não recomendam medicações específicas para aliviar a tosse. — mas, sim, remédios que combatem a doença por trás do sintoma. Corticoides ou antialérgicos, por exemplo, geralmente são recomendados para crianças asmáticas. No caso de resfriado, o ideal é usar um descongestionante nasal. Mas, se o problema for provocado por bactéria, pode ser necessário tomar antibiótico. A tosse, em si, só deve ser combatida quando for muito forte, a ponto de irritar a garganta. Nesses casos, alguns pediatras podem receitar xaropes mucolíticos, que dissolvem o catarro e facilitam a expectoração. Em todas as situações, é fundamental seguir as doses recomendadas na receita médica. Evite usar colheres para fazer a dosagem. Prefira sempre o medidor que vem junto com a embalagem.
Sim! Fazer o procedimento, pelo menos uma vez por dia, com soro fisiológico ajuda a eliminar o catarro. A vaporização promove um efeito semelhante, com a vantagem de ser mais fácil de fazer. Funciona assim: no banho, feche as saídas de ar e deixe o vapor do chuveiro agir. Depois, é só se sentar em um banco, com seu filho no colo, para que ele respire normalmente, umidificando as vias aéreas. Outra vantagem desse método é que as crianças tendem a apresentar pouca resistência, diferentemente da inalação convencional. Colocar toalhas molhadas no quarto do seu filho é uma boa dica para tornar o ambiente mais úmido. Para essa finalidade, evite usar baldes e bacias, pois eles representam risco de afogamento, principalmente se houver bebês por perto. Outro cuidado fundamental é manter o ambiente sempre limpo, livre da poluição e de fumaça de cigarro. Por fim, abrir a janela para arejar a casa é mais uma precaução importante, mesmo nos dias mais frios.
