Rio Branco, Acre,


Conheça o drama das famílias despejadas durante a Operação Lares

“Eles puniram 40 pessoas, para depois averiguar quem era culpado e quem não", diz dona de casa

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Famílias alegam não ter para onde ir após serem despejadas das casas populares/Foto: ContilNet

Oito famílias teriam sido retiradas de suas casas durante a Operação Lares sem ter envolvimento em fraudes e teriam sido vítimas de um equívoco no preenchimento do contrato com a Caixa Econômica Federal.

É o que relata dona Raimunda Nonata da Silva Souza, que já entrou contato com o Ministério Público do Acre. Segundo ela, um representante do órgão teria lhe informado que era possível que ela retornasse para casa em breve e que tudo dependia apenas de uma assinatura pendente do juiz responsável pela desocupação.

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No entanto, Raimunda Nonata afirma que dias depois uma nova informação lhe foi repassada e que na verdade ainda havia a necessidade de um parecer do delegado responsável pelo caso, Roberth Alencar.

Ao procurar o delegado, este teria afirmado que ela não voltaria a morar em sua antiga residência e que essa casa não era mais de posse dela, e sim da Justiça. Ao questioná-lo a respeito do parecer que seria assinado pelo juiz responsável, ela afirma que o delegado, em tom de ameaça, teria lhe dito “que as coisas não são bem assim, não, eu ainda vou fazer meu relatório sobre a senhora”.

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Casas foram invadidas após ordem judicial

Raimunda diz que o único erro pelo qual deveria pagar é pela ingenuidade na hora de assinar o contrato com a Caixa Econômica Federal, já que, segundo ela, no momento que ganhou a casa, por estar eufórica, acabou apenas assinando os locais indicados pela atendente da Caixa, sem ler o texto e os dados presentes no devido contrato. Porém ela fez questão de reforçar que o próprio relatório feito pelo MP a inocenta no processo fraudulento de compra e venda de casas, investigado pela operação.

“Eles puniram 40 pessoas, para depois averiguar quem era culpado e quem não. O relatório do MP já disse que eu não comprei casa nenhuma. O meu endereço anterior está certo no relatório da Sehab [Secretaria de Habitação]. Na hora que passaram para Caixa, eles lá erraram, e agora eu estou pagando por isso”, conta.

Chorando, dona Raimunda relatou o pânico de não saber onde vai morar e que, apesar da solidariedade dos vizinhos que a abrigaram, isso é uma situação temporária, e que precisa arranjar um lugar para ela e seus filhos.

Ela ainda menciona que chegou a receber um aviso do delegado que este expediria um mandado de prisão direcionado a ela, já que descumpriu uma ordem judicial ao inicialmente não retirar todos os seus pertences da casa apreendida, sendo que, de acordo com Raimunda, a intenção era de fazer que o imóvel parecesse habitado, a fim de evitar as invasões.

“Quando eu saí da casa, eu deixei lá as cortinas na janela e umas coisas que não deu tempo de retirar, mas era para que parecesse que tinha gente lá dentro, para que ninguém invadisse. Só que aí o delegado me ligou dizendo que ia expedir um mandado de prisão para mim, porque eu descumpri uma ordem judicial. Eu tirei tudo que ele pediu, e agora a casa tá aí, com a maçaneta arrombada, vaso sanitário roubado. Invadiram e passaram não sei quantos dias aí dentro”, declarou.

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Famílias estão morando em casas cedidas por familiares e amigos

Sonho adiado

A senhora Clicyane Barros de Deus relatou uma situação semelhante. Ela diz que estava esperando desde 2009 ser contemplada com uma casa e que, por erro no preenchimento do contrato entre a Sehab e a Caixa Econômica Federal, pode acabar tendo o sonho da casa própria adiado mais uma vez.

“Na Sehab o endereço tá certo, meu comprovante de endereço tá lá. Agora como passaram para a Caixa errado, eu não entendo. Dizem que essa tal de Cícera [Silva] entregou um pendrive para a Polícia Civil e tinha umas tabelas com nossos nomes, mas isso é porque, no vício de fraudar, elas já faziam do certo o errado”, declarou.

As famílias que receberam a reportagem da ContilNet no local se mostram muito apreensivas com o desenrolar do processo, já que, com a posse das casas sub judice, não teriam para onde ir e nem condições de pagar um aluguel. Muitas relatam que a situação financeira mal dá para o sustento dos filhos, o que ainda se agrava pelo fato de que muitas das crianças são portadoras de necessidades especiais.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil garantiu que os relatos seriam repassados ao delegado responsável pelo caso, Roberth Alencar, e que ele averiguaria a necessidade de se manifestar sobre as declarações. Até o fechamento desta reportagem nenhuma resposta nos foi enviada.

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