Rio Branco, Acre,


Equipamentos enferrujados marcam fiscalização surpresa do Cofen à Fundhacre

O processo de higienização dos materiais de uso clínico, assim como da própria estrutura da unidade, também não estaria adequado

Recipientes sem identificação do que há dentro, nem data da ênvase
Recipientes sem identificação do que há dentro, nem data da ênvase

Dando sequência à série de reportagens produzidas pela ContilNet, a visita realizada à Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundhacre) pela Força Nacional de Fiscalização do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) traz relatos preocupantes a respeito das condições dos materiais utilizados na unidade e na falta de preparo dos profissionais responsáveis pela higienização do prédio.

Fundhacre

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Analisando o material disponibilizado pela assessoria do Cofen e declarações dadas pela equipe de fiscalização, é possível entender que as condições de atendimento à população no “Hospital das Clínicas” ainda não são ideais. A primeira crítica dos fiscais é feita logo a respeito do primeiro atendimento realizado na fundação, procedimento chamado pelo hospital de “triagem”. De acordo com os fiscais, essa triagem, que seria responsável pela classificação da gravidade e de risco no setor de Oncologia, estaria sendo feita por técnicos de enfermagem que não têm competência técnica nem conhecimento científico para selecionar a prioridade de atendimento.

Falhas como essa, que de acordo com os fiscais podem ser causadas pelo déficit de profissionais de enfermagem na unidade, continuaram a aparecer no aprofundamento da fiscalização. Os fiscais relataram situações em que os cuidados ao paciente estavam sendo prestados pelos próprios acompanhantes. As falhas ainda pioram quando técnicos de enfermagem foram encontrados realizando cuidados de competência técnica de enfermeiros, como administração de quimioterápicos e curativos complexos.

Foi relatada também a superlotação do setor oncológico da unidade, resultando na acomodação de pacientes graves sem estrutura e recursos humanos adequados.

“É essencial que as unidades de saúde façam o cálculo dimensional, para ter essa previsão e entender exatamente qual o quantitativo necessário dos profissionais de enfermagem para atender a instituição”, afirmou um membro da Força Fiscalização.

Profissionais atuando sem luvas, e utilizando as mesmas para garroteamento
Profissionais atuando sem luvas, e utilizando as mesmas para garroteamento

Higienização

Ainda de acordo com o relatório da equipe de fiscalização e vídeos fornecidos pela assessoria, o processo de higienização dos materiais de uso clínico, assim como da própria estrutura da unidade, também não estaria adequado a padrões mínimos necessários ao atendimento da sociedade acreana.

Problemas como o cruzamento de materiais sujos com materiais limpos, no trajeto entre o Centro de Material e Esterilização (CME) e o Centro Cirúrgico, a deficiência de enxoval para troca de roupa de cama dos pacientes e até mesmo a limpeza terminal do leito em enfermaria – que é realizada com os pacientes ainda nas camas, por vezes chegando a alojar até cadeiras sobre os pacientes para facilitar a limpeza do cômodo – dificultam o controle sobre infecções hospitalares na unidade.

Materiais e estrutura

A equipe de fiscalização relatou também problemas na infraestrutura da enfermaria, que conta com infiltrações nas paredes.

Ao analisar o material utilizado na unidade, os fiscais verificaram leitos na ala de infectologia quebrados e aparentando ferrugem em sua estrutura, além da falta de equipamentos de proteção interpessoal (EPIs), como luvas de proteção, que por vezes acabam substituindo ligas no procedimento de garroteamento, enquanto os profissionais de enfermagem atuam sem qualquer proteção nas mãos.

Encontraram também recipientes sem a identificação da substância nem a data em que foram ali colocados.

Supervisão

O conselho ainda relatou a situação em que um estágio curricular estaria sendo efetuado sem o acompanhamento do professor responsável da instituição de ensino conveniada, além de encontrar técnicos de enfermagem atuando sob a supervisão de farmacêutico, violando assim leis estipuladas na legislação para a categoria.

Cofen registra infiltrações no prédio da Fundhacre
Cofen registra infiltrações no prédio da Fundhacre

 

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