Ícone do site ContilNet Notícias

Fotógrafo Sebastião Salgado torna-se doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre

Por Agência de Notícias

Apenas outros cinco títulos Honoris Causa foram entregues pela Ufac durante todo seu tempo de atuação, entre eles um póstumo ao líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

O governador Tião Viana, grande apreciador do trabalho de Sebastião Salgado, também esteve na solenidade, e destacou: “Às vezes podemos olhar para uma pessoa e saber que ela é a mensageira de um mundo melhor, que luta por um mundo melhor. E isso, para mim, é o significado de Sebastião Salgado perante o que conheço e o que ouço repercutir de sua obra. Por isso, hoje, reconhecemos este cidadão do mundo”.

Sebastião Salgado é reconhecido mundialmente por suas obras /Foto: Sérgio Vale

Uma história de vida

Embora tenha começado dizendo não ser um conferencista, Sebastião Salgado deu aos presentes uma palestra intitulada Uma história de vida. Por quase uma hora e meia, ele falou sobre sua incrível trajetória profissional e pessoal, sobre como se encontrou com a fotografia social, deixou de acreditar na humanidade e, após um período de autoconhecimento, passou a acreditar no planeta.

“É um prazer estar aqui hoje com vocês, principalmente com este grande grupo de jovens, alunos desta universidade. E hoje, eu vejo na minha vida de fotógrafo que talvez o que mais contribuiu para que eu tivesse uma compreensão dos fenômenos que eu pude me dedicar foi a base que recebi na universidade”, conta.

O fotógrafo, que já recebeu mais de 90 prêmios e honrarias pelo mundo, destacou como cada um de seus trabalhos deu origem ao seguinte.

Como a obra Trabalhadores, na qual documentou o trabalho manual e as árduas condições de vida dos operários em várias regiões do mundo.

Em seguida, ele voltou a atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em “Êxodos” e “Retratos de Crianças do Êxodo”, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente.

A obra, porém, mudaria sua vida. “Na África, eu vi coisas horríveis que o ser humano é capaz de fazer. Eram 20 mil mortos por dia. Eram tantos mortos,m que você não podia mais enterrar as pessoas individualmente – vinha um grande trator, abria um enorme buraco e eram pilhas de pessoas.”

Sebastião Salgado recebeu a honraria das mãos do reitor da Ufac, Minoru Kimpara

Salgado precisou abandonar a fotografia um tempo para se recuperar, e acabou se dedicando a outro projeto, o de reflorestar a área deixada por seus pais no Brasil, o que lhe deu forças para uma nova jornada que resultou na exposição fotográfica mais vista do mundo: “Gênesis, um retrato de regiões intocadas”. Segundo o fotógrafo, “45% do planeta ainda está como no dia do gênesis”.

Atualmente, Sebastião Salgado produz uma nova obra. Ainda sem data de lançamento, ele tem viajado o país para retratar os povos indígenas.

No Acre, passou 20 dias com o povo Ashaninka e, recentemente, mais 20 dias com o povo Yawanawa. Como presente ao público, demonstrou uma prévia desse trabalho em 150 fotos.

Sobre a fotografia, Sebastião Salgado acrescenta: “A gente tem que se situar na nossa sociedade. A fotografia tem que ter um sentido. Nós só podemos realizar as fotografias sociais, as fotografias humanas, se a gente não tiver uma capacidade de se colocar dentro do movimento histórico que nós vivemos”.

Sobre o fotógrafo

Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em Aimorés (MG), em 1944. É doutor em Economia e, entre 1971 e 1973, trabalhou para a Organização Internacional do Café, em Londres.

Decidiu tornar-se fotógrafo quando coordenava um projeto sobre a cultura do café, em Angola, tornando-se hoje um dos profissionais mais reconhecidos do mundo.

Sair da versão mobile