
Como alguém sem estrutura partidária, dinheiro, base territorial de atuação ou mesmo grupo sindical ou associativo
consegue quase mil votos para vereador na mais disputada eleição para este cargo na História do Acre?
Esta foi a proeza do jornalista Evandro Cordeiro em sua primeira tentativa como político. Mesmo com todas as previsões contrárias, obteve 823 votos e ficou na posição 62 em um universo de 296 candidatos com votação registrada nas urnas e à frente de vereadores que tentavam a reeleição.
“Eu só tenho a agradecer aos amigos. Eu já tinha uma ideia de como seria a campanha, assim usei o slogan ‘eu não tenho dinheiro, mas tenho amigos’. Foi uma experiência muito boa e já estou recebendo incentivo para disputar novamente.”
A oposição não liga, mas Governo já o procurou
Mas Evandro disse que estranhamente ninguém do alto escalão da oposição o procurou, exceto Tião Bocalom. Em compensação, os secretários do governo do Estado e do Marcus Alexandre já entraram em contato. Até mesmo um presidente de partido da Frente Popular já ligou.
A votação de Evandro foi considerada fenomenal por ser a primeira candidatura e ainda por um partido pequeno, sem estrutura e os recursos necessários.
Amigos alavancaram a campanha
Diferentemente de outros candidatos, cujo apoio da direção do partido renderam apoios importantes e estrutura de trabalho ou, ainda, dos apoiados por sindicatos e grandes empresas, Evandro contou apenas com o apoio de meia dúzia de abnegados amigos e o fato de ser conhecido como jornalista há mais de duas décadas.
A estrutura de campanha do jornalista se limitou a um carro popular emprestado e dirigido por um amigo. O dinheiro para a gasolina vinha ou do próprio bolso ou de minguadas doações dos poucos apoiadores.
Duas panes secas no carro
Evandro contou que uma vez recebeu uma ligação de uma pessoa com a promessa de doação de uma gasolina. Deslocou-se até um posto no Segundo Distrito na hora marcada, 10h, onde ficou até às 16h esperando a suposta doação. Quando o doador chegou, perguntou onde estava a moto dele, pois ia encher o tanque. Como Evandro estava de carro, a ajuda foi de 10 litros de gasolina e um dia inteiro perdido.
“Outra vez, durante a parte final e mais importante da campanha, por volta das 10h, acabou a gasolina em frente à loja Pemaza, mas só consegui 20 reais às 15h. E foi mais um dia parado por não ter como me locomover”, lembrou.
Da desilusão da apuração à realidade do feito
Evandro disse que logo após o resultado final e de saber da votação recebida, foi dormir um tanto chateado por não ter sido eleito: “Mas bastou clarear o dia e dezenas de pessoas ligaram me parabenizando pela excelente votação”.
“Aí caiu a ficha, pois em uma eleição extremamente disputada e eu sem recursos, tive votação igual ou superior a muita gente com condições infinitamente maiores. Então eu vi ter sido uma vitória da luta e do empenho frente aos esquemas e o dinheiro. Agora, vamos estudar os próximos passos na política, pois os horizontes estão abertos”, destacou.

A estrutura de campanha do jornalista se limitou a um carro popular emprestado e dirigido por um amigo/ Fotos: acervo pessoal
