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Servidores do Sistema Penitenciário do Acre repudiam declarações de Tião Viana

Por JOÃO MAURÍCIO ROSA

O presidente da Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Acre (Asspen), José Janes, enviou nota à imprensa neste sábado (22) repudiando declarações do governador Tião Viana, que acusou a categoria pela rebelião na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde (FOC) na quinta-feira (20), quando três agentes saíram feridos, um deles com o rosto totalmente desfigurado, um esfaqueado e outro com graves sequelas psicológicas.

De acordo com Janes, Tião Viana generalizou as acusações e não fez nenhum comentário elogioso aos agentes que resistiram bravamente à tentativa de invasão da Papudinha na terça-feira. “O governador foi leviano ao dizer que a categoria como um todo contribuiu com a rebelião facilitando a entrada de armas. O único suspeito de participação no crime foi identificado e detido pelos próprios agentes com a participação da PM e entregue às autoridades. Nós estamos cortando na própria carne. Não compactuamos com este tipo de ação. Lembramos que todos os casos de agentes suspeitos de crimes foram identificados pelos próprios colegas. Nenhuma palavra elogiosa foi dita pelo governador”.

A rebelião no FOC aconteceu na hora em que um agente foi servir o jantar no pavilhão ‘L’ e foi rendido por um preso armado com uma pistola. “Esse preso liberou mais de mil outros presos dos pavilhões ‘J’ e ‘H’ com a intenção de matar os 214 presos do pavilhão K”, revela Janes.

No momento do início da rebelião, apenas 4 agentes faziam a guarda dos detentos do presídio. Todos eles foram feitos reféns durante um tiroteio travado entre os presos, agentes e policiais que faziam a guarda do lado de fora. “Um dos agentes ficou com o rosto desfigurado; outro não pode andar porque teve que ficar rastejando para escapar das balas; um terceiro levou uma estocada nas costas e o quarto não consegue dormir”.

De acordo com o presidente da Asspen, o governador também omitiu que 14 agentes penitenciários impediram na terça-feira (18) a invasão da UP-4, antiga Papudinha, onde ficam os condenados em regime semiaberto. “Por volta das 19 horas, 17 bandidos tentaram invadir a UP-4, onde ficam 500 presos. A intenção era efetuar uma chacina. Os agentes, que trabalham sem colete e que usam munição comprada com dinheiro próprio, resistiram à invasão trancando os cadeados. Foram disparados mais de 500 tiros do lado de fora, mas não conseguiram entrar. O governador não divulgou nenhuma nota elogiando”.

Por fim, o servidor lembrou que o Acre possui cerca de 1.100 agentes que possuem família e vivem em estado de constante tensão. “Não compactuamos com delitos praticados por agentes, até porque sempre acabamos como vítimas. Todos os casos já esclarecidos de delitos praticados por agentes penitenciários foram elucidados por nós mesmos e entregues às autoridades. Quero deixar claro que estamos abertos a diálogos com o governo, seja de qual partido for, mas também queremos respeito”, declarou Janes.

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