“Precisamos nos descolar da dependência umbilical de Marina”, diz coordenador da Rede

A polêmica saída de integrantes da Rede Sustentabilidade caiu como bomba nos bastidores da política. No Acre o assunto também repercute, já que o partido tem como principal porta-voz a ex-senadora acreana Marina Silva. O antropólogo Luiz Eduardo Soares, Miriam Krenzinger, Marcos Rolim, Liszt Vieira, Tite Borges, Carla Rodrigues Duarte e Sônia Bernardes fizeram parte do grupo que deixou o partido.

A “Carta aberta aos membros da Rede” foi divulgada um dia após as eleições. Além de anunciar a desfiliação da Rede Sustentabilidade, o grupo trouxe no documento duras críticas ao partido, formalizado em 2015, e também à sua líder Marina Silva.

Dentre outras declarações polêmicas, a carta afirma que “a Rede tem se estruturado sobre um vazio de posicionamentos políticos”. Em virtude da repercussão que o caso tem tomado, a ContilNet entrou em contato com o Coordenador Municipal de Comunicação e Formação da Central de Movimentos Populares (CMP) da Rede no Rio de Janeiro (RJ), Cezar Nogueira.

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Marina Silva foi apontada como a razão pelo afastamento de alguns membros do partido /Foto: Reprodução

O coordenador afirma que, através das redes sociais, tratou de repassar a carta de desfiliação aos filiados. Mas reforça que “as análises feitas pelos membros que deixam o Partido neste momento, deve ser tratada com a mais absoluta atenção”.

“Destaco dois pontos que, para mim, são cruciais neste processo. Primeiro: a saída de LES, Miriam, Tite e outros já estava definida há alguns meses. Muito em virtude de algumas alianças eleitorais em diversos Estados, que foram feitas contrariando tudo o que construímos coletivamente, e só não fizeram antes para evitar que isso fosse usado eleitoralmente contra nós. As críticas apresentadas carecem de uma reflexão interna profunda, que pessoalmente eu espero que aconteça. Segundo: há algum tempo venho falando sobre a necessidade que temos de nos descolar da dependência umbilical de Marina. Não que ela não seja nossa liderança maior, não que ela não seja aquela em que eu acredito ser a melhor opção para o Brasil, não que eu não acredite que ela tem as melhores intenções em suas ações, mas por um único motivo: Marina também erra!”

Cezar reitera que os debates foram levantados com interessados em discutir os rumos do partido. “Ao longo da Caravana da Juventude, que o Elo Estadual da Juventude do Rio realizou entre os meses de maio e junho, nos mais diferentes município fizemos um debate sobre a Rede, mostramos nossas cores e fomos discutir com quem se dispôs a querer construir nossas alternativas para além da pseudo-esquerda e ex-direita. Aquela é a Rede em que com certeza nos acreditamos. Aquela é a Rede em que eu quero lutar para construir. Uma Rede aberta a diferença e ao debate, uma Rede coerente com a necessidade de sair do campo das ideias e ir para a solução do dia a dia, uma Rede coesa em sua diversidade”.

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Para o coordenador, a saída dos militantes deve ser encarada como um alerta. E reitera: a Rede está em construção. “Espero que a saída de LES, Miriam, Tite e outros funcione para nós, da Juventude, como um alerta de nossa responsabilidade de agora em diante. E espero que o Elo Nacional faça uma auto crítica com relação a forma verticalizada com que vem tomando suas decisões. Estamos aprendendo juntos, e neste momento o mais importante é não nos olharmos como inimigos, apesar de nossas discordâncias, mas sim como aliados na construção da Rede que defendemos”.

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