O clima esquentou na audiência pública ocorrida na manhã desta quinta-feira (10) no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) quando o presidente da Associação dos Militares do Estado (AME), Joelson Dias, rebateu os argumentos apresentados pelo representante da Polícia Militar, coronel Ulysses, para quem existem armas e equipamentos em quantidade.
Dias também revelou que o efetivo atual é menos da metade do necessário ou, exatamente, 46,58% do ideal. Além disso, um terço dos policiais da ativa pode passar para a reserva remunerada nos próximos seis anos. O presidente da AME afirmou que na atualidade o efetivo precisaria quase dobrar para atingir o mínimo necessário. Para os Bombeiros a defasagem do seria de 228%.
PM prende, juiz solta
Joelson Dias, que é sargento da PM, disse haver um clima de descontentamento entre os polícia e a Justiça no combate à violência. Segundo o militar, mais da metade das prisões efetuadas pela PM são revogadas depois das audiências de custódia.

Sargento Joelson Dias e Coronel Ulisses Araújo apresentaram versões diferentes sobre a situação da PM no estado /Foto: Reprodução
Sem orçamento, sem equipamento
“Hoje nossa situação, enquanto PMs, é de quarteis sucateados, caindo na cabeça dos policiais. Até existe projeto de reforma, mas está paralisado. Viaturas estão paradas por peças de R$ 100. Alguns colegas usam dinheiro próprio par manter os carros andando”, destacou o militar.
O sargento comentou ainda o fato do orçamento da PM estar praticamente congelado há sete anos, inclusive sendo os valores deste ano inferiores aos de 2015, enquanto a verba de mídia praticamente triplicou no mesmo período.
Joelson disse serem os PMs do Acre os que ganham menos em todo o Brasil. Além disso, existe o racionamento de combustível das viaturas, as quais, às vezes têm apenas 10 litros para rodar as 12 horas de um plantão.
Versão do comando
Apesar de reconhecer um déficit no contingente da Polícia Militar, o subcomandante coronel Ulysses ainda tentou mostrar um outro quadro da corporação.
O coronel Ulysses afirmou haver armamento e viaturas em quantidade suficiente para atender as obrigações da corporação. A única exceção foi em relação à qualidade do armamento de origem nacional por força da lei de licitações.
