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Médicos se recusam a dobrar plantões e PS pode ficar sem cirurgiões a partir de novembro

Por RÉGIS PAIVA, DA CONTILNET

A situação da Saúde no Estado está tão caótica a ponto dos cirurgiões do Pronto Socorro (PS) do Hospital Geral de Emergência e Urgência de Rio Branco (Huerb) entregarem o cargo de chefia do setor e se recusarem a fazerem plantões extras.

Atualmente, o número de cirurgiões no PS representa cerca de 40% do mínimo necessário, obrigando os especialistas a dobrarem os plantões, chegando a trabalhar por 72 horas seguidas. Com a negativa dos cirurgiões em assumir plantões extras, a escala ficará muito prejudicada e pode até mesmo haver dias em que não terá cirurgião de plantão no PS.

https://youtu.be/Js_ClNbstSc

Número de profissionais é bem aquém do necessário

Conforme revelou um 12 dos cirurgiões do PS, número desses profissionais é muito inferior ao necessário e menos de 30% do ideal. Na atualidade, são apenas 12 médicos, com dois por plantão, mas o mínimo seriam 28 profissionais especializados, com quatro em cada plantão.

“Esses doze estão fazendo muito plantões extras para poder manter um mínimo de dois especialistas por plantão. Isso tem levado a quase sempre um ou os dois estarem muito cansados. São plantões de 24, 48, 72 h”, afirmou.

Medo de errar e vidas em jogo

O cirurgião revelou que o cansaço expõem ao médico, como profissional, e ao paciente, cuja vida fica com vida ainda mais exposta. O médico destacou o fato do corpo não aguentar, implicando em falhas.

“A gente se sente incompetente, irresponsável. O paciente não recebe a atenção que deveria receber. Isso prejudica a gente como profissional e a saúde do paciente”, ressaltou.

https://youtu.be/Vhquqfe_WuE

Decisão foi tomada em reunião

A decisão de fazer mais plantões extras foi tomada em uma reunião entre os cirurgiões ocorrida na segunda-feira (8), quando decidiram também entregar a chefia da Cirurgia para a direção do hospital. A intenção dos médicos é conseguir a contratação de mais médicos, reduzindo o desgaste e os riscos, tanto para pacientes quanto cirurgiões.

“Não estamos pedindo salário ou alguma vantagem, mas somente as condições de trabalho. Ao longo destes anos o Estado não tem feito concurso ou contratado os profissionais necessários. Do grupo que tínhamos, alguns pediram demissão e outros foram embora do Estado, deixando o quadro defasado”.

Cirurgiões dizem estar sobrecarregados /Foto: Reprodução

O tempo é inimigo do traumatizado

O médico que o PS é o único lugar do Estado a prestar atendimento em Emergência Cirúrgica, sendo que muitas vezes fazem até três cirurgias de paciente graves simultaneamente.

“O movimento é pelo fato de não poder mais esperar. O tempo é o inimigo número um do paciente traumatizado. Basta capotar um carro para o setor entrar em colapso por excesso, como foi no dia da rebelião no presídio”, complementou.

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