
Senador fez uma análise do ano de 2016 e apresentou suas perspectivas para 2017 e 2018
O Senador Sérgio Petecão (PSD) concedeu uma entrevista exclusiva à ContilNet no começo da tarde de quinta-feira (29), na qual fez uma avaliação das últimas eleições, do momento político atual e das perspectivas para o futuro. Confirmando ser candidato à reeleição, o senador disse que a oposição precisa discutir de forma franca os nomes para o governo do Estado e a escolha deve recair sobre aquele com melhor aprovação e intenção de votos por parte dos eleitores quando se aproximar o momento das escolhas. Confira a entrevista:
Uma avalição das últimas eleições para o PSD
As eleições de 2016 foram o fechamento de um trabalho do nosso partido. O PSD precisava ser avaliado pelos eleitores e, graças a Deus, recebemos a resposta desejada. O partido elegeu dois prefeitos, Senador Guiomard e Tarauacá, além dos vices de Assis Brasil e Plácido de Castro. Temos ainda os 19 vereadores, dentre os quais conseguimos reeleger uma vereadora da Capital.
O PSB foi talvez o partido que mais cresceu e isso é muito gratificante. Entendemos ter sido a boa votação uma resposta ao nosso trabalho diário, onde temos ido a cada canto do Estado. Mas isso não significa que, para 2018, já estamos prontos e todos eleitos. Mesmo assim, é sempre bom ter uma base consolidada em todo o Estado para fazer frente a próxima eleição.
A derrota na capital
Sobre a derrota da oposição na Capital e no meu ponto de vista pessoal, penso ter feito o possível na campanha de nossa candidata Eliane Sinhasique. Tentei fortalecer a chapa com o Marcio Bittar para vice, mas minha luta foi em vão, pois já havia uma articulação prévia com o Alysson Bestene, pessoa por quem tenho um carinho muito grande. Contudo, acho que o Marcio contribuiria e somaria mais se tivesse sido o vice.
No geral sei que erramos em alguns pontos. Mas precisamos também avaliar ser uma eleição muito difícil, pois o candidato do PT conseguiu se desvincular da imagem desgastada do partido e estava muito forte. Perdemos a eleição, porém isso faz parte do processo democrático e não pode nos abater, mas apenas identificar onde erramos e como vamos contornar estas falhas.

Petecão disse que ficaram algumas lições de 2016
A lição da eleição de 2016
Uma das lições que podemos tirar da eleição de 2016 é discutir mais cedo o processo. Além disso, entendo que devemos aprender a sempre disputar com o candidato mais forte, independente de partido. Não podemos ficar apenas nas figuras pessoais de “A” ou “B” ou agradar aos partidos. Temos aprender a ter humildade e colocar para a disputa o candidato mais forte nas pesquisas.
Essa atitude não pode ser apenas para agradar o Petecão, Flaviano, Bocalon ou outro. Temos de parar de tentar agradar pessoas ou partidos, mas sermos mais técnicos e escolher o melhor e mais forte. Afinal, quando se perde uma eleição, todos perdem, desde o candidato derrotado nas urnas até o militante mais humilde.
A escolha dos nomes para o futuro
Quando eu tentei trazer o Marcio Bittar para ser o vice da Eliane Sinhasique, trazendo ele para o sacrifício, pensei na força de quem já foi o deputado mais votado do Estado, com mais de 50 mil votos. Quando ele aceitou, nós da oposição teríamos de incorporar a ideia.
Esse é também o caso do Bocalom, que não deveria ter sido alijado da eleição, mas entendemos o momento que ele passou por conta de doença na família. Mas, no geral, se temos bons nomes como o Bocalom e Marcio, nós temos de usar. Isso deve valer para a próxima eleição.
O PSD e a estratégia partidária
Nós, do PSD, como todos os demais partidos, queremos crescer. Assim, a nossa estratégia para 2018 é de reeleger o nosso deputado estadual, Jairo Carvalho, e se possível ampliar em mais um ou dois na Assembleia Legislativa. Temos também que eleger um deputado federal e, para isso, vamos lançar um nome forte, pois é uma cobrança da direção nacional.
Afinal, são os representantes federais que demonstram a representatividade do partido. No meu caso, sou candidato nato à reeleição para o Senado e não estou pleiteando mais nada, quero que a oposição me dê novamente esta oportunidade.

Três nomes fortes do PSD no Acre: prefeito André Maia, senador Petecão e deputado estadual Jairo Carvalho
O próximo governador do Estado
Em se tratando do candidato ao governo, este tem de ser aquele com a melhor avaliação nas pesquisas, bem como não estar envolvido em qualquer tipo de escândalo. Além disso, precisamos de alguém capaz de fazer um bom trabalho após a eleição.
Este é o grande desafio da oposição, pois precisamos fazer melhor que o que está aí, pois senão eles [PT] voltam com toda a força. Sabemos estarem que eles estão desgastados, com a oposição em uma boa situação, mas não podemos pensar estar que a eleição está ganha e que qualquer candidato pode vencer. O jogo ainda está em aberto, no entanto favorável para nós. Mas se pararmos de jogar para discutir coisas desnecessárias, perderemos.

Gladson, Petecão, Marcio Bittar e Flaviano são importantes lideranças da oposição no Acre
Como fazer para vencer
Nós, líderes partidários, como eu, Gladson, Flaviano, Rocha, Bocalom, precisamos ter responsabilidade e tirar as vaidades para laçar o candidato que esteja em melhor avaliação por parte do eleitorado de todo o Estado. É preciso debater com antecedência, mas manter aberto o caminho e sem vaidades pessoais ou interesses político-partidários.
As tratativas já começaram
Nós já começamos a discutir. Se eu negar, não estarei sendo sincero. E é bom que se faça isso com antecedência. Eu, que disponibilizo praticamente todo o meu tempo para política com prazer, vejo com bons olhos essas discussões preparatórias.
Todos precisamos nos doar para fazer estas reuniões e discutir o tema, pois isso é ganhar e não perder tempo. Afinal, todos queremos eleger o governador e lançar candidatos para todos os cargos, uma coisa normal e natural dos partidos. Mas precisamos analisar o momento de cada um.
Na oposição tudo precisa ser debatido
No PT é diferente. As plenárias deles são apenas para chancelar o que o grupo dominante decide. Quem define tudo são os Vianas, Jorge e Tião e o Carioca [Francisco Nepomuceno]. Mas aqui na oposição é diferente. Temos muitos líderes e todos precisam discutir antes da escolha dos nomes e propostas. Aqui temos de analisar as candidaturas de forma desarmada, até chegarmos ao candidato ideal.

“Prefiro esperar para fazer qualquer conjectura”, diz Petecão sobre eleição no Senado
Como ficam as eleições no Senado
O momento é difícil para se fazer um prognóstico para a eleição da mesa diretora do Senado. Essa operação Lava Jato está tão forte no Senado e na Câmara que qualquer tipo de especulação ou de estratégia para presidência das casas pode depender do que ainda virá.
Todo dia a imprensa libera listas e informações sobre fatos e pessoas. E nem sabemos o que é verdadeiro e o que é falso. Estou lá no Senado, onde faço parte da mesa diretora e tenho mantido contatos com todos os demais senadores, inclusive com o presidente da casa.
Mas hoje não arrisco nem um nome. Fala-se em Eunicio Oliveira, do PMDB, a maior bancada, mas se o nome dele sair na Lava Jato, acabou. Por isso prefiro esperar para fazer qualquer conjectura.
