Acre registra quase 40 homicídios a cada 100 mil habitantes e Ulysses dispara: “Nem Iraque chegou a esse patamar”

O coronel da Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC), Ulysses Araújo, redigiu uma declaração por meio de seu perfil no Facebook para esclarecer a atual situação da Segurança no estado. Ulysses demonstra intensa preocupação com a situação em que se encontra o Acre, já que de acordo com ele as autoridades estariam mais preocupadas em rebater dados e números do que realmente tomar providências cabíveis para sanar a matança que vem ocorrendo.

Araújo declarou torcer para que o cenário não chegue a um ponto onde o cidadão de bem acabe pagando o preço dos crimes de violência com requinte de crueldade que a população do estado está presenciando. Com mais de 10 mortes apenas na primeira semana de 2017, a média de quase dois homicídios por dia este ano é assustadora e o coronel afirma que medidas emergenciais precisam ser tomadas para evitar o pior: “O mal tende a crescer se não for cortado pela raiz, espero estar errado”, disse.

Coronel Ulysses afirmou estar preocupado com a situação da segurança no Acre /Foto: Arquivo pessoal

Leia a nota emitida pelo coronel na íntegra:

Nos 6 primeiros dias do ano, já foram registrados 12 homicídios.

Devemos nos preocupar ????

A violência que domina nossa cidade não me deixa perplexo, pois retrata o descaso que os governantes tratam as Instituições que integram o Sistema de Segurança Pública, bem como as políticas públicas que direta e indiretamente impactam na prevenção de delitos.

Contudo, esse cenário me preocupa, pois não sabemos até quando a violência se limitará aos muros dos estabelecimentos prisionais e ao círculo das facções.

O mal tende a crescer se não for cortado pela raiz, espero estar errado, mas se as rédeas da segurança não forem tomadas, imediatamente, posso vislumbrar a curto prazo os cidadãos acreanos pagando um preço altíssimo e sujeitos a qualquer momento a atos de violência com os mesmos requintes de crueldade que estamos assistindo hoje no seio das facções.

Vivenciamos a falência do atual Sistema de Segurança Pública e com o ápice da subserviência das Instituições que o compõe. Pois as relações das Instituições com o Executivo são marcadas pelo escamoteamento das informações a troco de migalhas.

Não é de se causar estranheza que um “determinado membro” da alta cúpula do governo do Estado venha publicamente afirmar que os índices de violência que apontei no final do ano de 2016 estão “furados”, que “não são oficiais” e “que eu não represento à Polícia Militar”, sendo notório que ele é o gestor de um dos governos mais mal assessorados da história do Acre.

Seria insensibilidade, como de praxe, sobre a situação caótica relativa à violência vivenciada e assistida no estado ???

Vamos lá novamente!

Fechamos o ano passado com mais de 350 homicídios. Quase um por dia. Neste ano que já chegamos a dois por dia, pasmem!

Quem se dispor pode utilizar a lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11) solicitando ao Ministério Público Estadual os referidos dados comprobatórios desta afirmação e outras mais.

Saliento que ao falar em 350 mortes, não inclui os acidentes de trânsito, muito menos os homicídios culposos, nem Latrocínios, senão seriam bem mais! Falo por conhecimento de causa, sem maquiagem e com fontes fidedignas comparando os dados de 2015, publicados no 10° anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Isso representa um aumento de quase 80% na taxa de homicídio por 100 mil habitantes e colocará o Estado do Acre com média em torno de 40 homicídios por 100 mil habitantes, muito acima da média nacional que gira em torno de 26 homicídios por 100 mil habitantes.

Isso significa que o Acre, num contexto mundial, só perde para Honduras, Venezuela e El Salvador. Nem o Iraque, Congo e Colômbia alcançaram esse patamar (todos esses países estão em guerra civil, ditadura ou dominados por guerras dos cartéis de tráfico de drogas).

A título de exemplo, pra não culparmos a “crise”, o Estado de São Paulo comemora o índice histórico de redução de violência com 9,8 homicídios por 100 mil habitantes, abaixo do nível epidêmico tolerado pela Organização Mundial de Saúde que é de 11.

Coronel Ulysses Araújo

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